Pesquisa Datafolha: os cenários da corrida presidencial vão se firmando

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A esperada pesquisa do Instituto Datafolha em relação à disputa presidencial foi divulgada ontem (10). Seus números validaram análises e apontamentos que o processo indica e que começam a se cristalizar. O Datafolha pesquisou o cenário em que o nome de Fernando Haddad, candidato a vice-presidente pelo PT, aparece como possível substituto de Lula na chapa. Foi a primeira pesquisa após o candidato Jair Bolsonaro ter sofrido um atentado, quando participava de um evento de campanha na cidade mineira de Juiz de Fora, no último dia 06.

O nível de confiança da pesquisa é de 95% e a margem de erro é de dois pontos, para mais ou para menos. Foram entrevistados 2.804 eleitores em 197 municípios no dia 10 de setembro. A TV Globo e a Folha de São Paulo foram os contratantes da pesquisa, que foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR 02376/2018.

Vamos aos números:

  • Jair Bolsonaro (PSL): 24%
  • Ciro Gomes (PDT): 13%
  • Marina Silva (Rede): 11%
  • Geraldo Alckmin (PSDB): 10%
  • Fernando Haddad (PT): 9%
  • Alvaro Dias (Podemos): 3%
  • João Amoêdo (Novo): 3%
  • Henrique Meirelles (MDB): 3%
  • Guilherme Boulos (PSOL): 1%
  • Vera Lúcia (PSTU): 1%
  • Cabo Daciolo (Patriota): 1%
  • João Goulart Filho (PPL): 0%
  • Eymael (DC): 0%
  • Branco/nulos: 15%
  • Não sabe/não respondeu: 7%

O Datafolha divulgou a sua pesquisa anterior no dia 21 de agosto. Em termos comparativos entre as duas pesquisas há alguns cenários:

Jair Bolsonaro

Oscilou para cima dentro da margem de erro da pesquisa (dois pontos), pois na última tinha 22% das intenções de voto e nesta registrou 24%. O que mostra que o atentado sofrido por ele pode não ter provocado a comoção esperada. Seus apoiadores, após o ataque, afirmavam que o candidato do PSL poderia subir consideravelmente nas próximas pesquisas. O Datafolha fez o levantamento dos dados quatro dias depois do ocorrido em Juiz de Fora, portanto, tempo suficiente para provocar, talvez, comoção. A questão é que Jair Bolsonaro é o candidato com maior índice de rejeição. Em comparação entre as duas últimas pesquisas Datafolha, o candidato do PSL viu seu índice aumentar acima da margem de erro (era 39% e passou a ser 43%). Outro fator negativo ao deputado federal é que em uma disputa de segundo turno, ele perderia para todos os candidatos analisados. Portanto, caso queira ser o próximo presidente do Brasil, Bolsonaro precisaria vencer a eleição em primeiro turno, o que o cenário indica que isso não deverá acontecer.

Ciro Gomes

O ex-governador cearense foi segundo que mais cresceu na pesquisa em comparação com a medição anterior. O candidato do PDT tinha 10% e agora aparece com 13% das intenções de voto, portanto, acima da margem de erro da pesquisa (dois pontos). Gomes deverá herdar uma considerável margem de votos da esquerda, haja vista, a própria indefinição que o PT mantém sobre o caso Lula. Conforme abordado pelo blog recentemente, o seu marketing utiliza peças publicitárias que sem Lula, agora é Ciro, e o pdetista firmou base no nordeste, justamente para que a peça citada possa ser firmada na prática.

Marina Silva

A ex-ministra segue a sua sina eleitoral das duas eleições anteriores. Inicia bem, mas vai desidratando no decorrer da campanha. A candidata da Rede estava na última pesquisa DataFolha com 16%, agora caiu para 11%. Deve perder mais alguns pontos e estagnar, mantendo o seu eleitorado (segundo os especialistas na casa dos 8% a 9%).

Geraldo Alckmin

O tucano na última pesquisa tinha 9% das intenções de voto, nesta subiu um ponto, chegando a 10% (a tão esperada casa dos dois dígitos). Estamos na segunda semana do horário eleitoral no rádio e televisão, justamente os meios que Alckmin esperava que o fizessem subir nas pesquisas. Seu crescimento é irrelevante. Um ponto percentual com toda a exposição no horário eleitoral. Pelo visto, a estratégia do ex-governador de São Paulo não está funcionando.

Pela margem de erro na pesquisa, Ciro Gomes, Marina Silva e Geraldo Alckmin estão tecnicamente empatados na segunda posição.

Fernando Haddad

O ex-prefeito de São Paulo e futuro candidato do PT (o que deve acontecer o anúncio oficial hoje) foi quem mais subiu. Na pesquisa do dia 21 de agosto, Fernando Haddad tinha 4% das intenções de voto (à época, Lula ainda não havia tido o seu registro de candidatura impugnado pelo TSE, e nem Haddad havia assumido o protagonismo), na pesquisa atual, Haddad cresceu para 9%. Ou seja, mais do que dobrou. Na margem de erro da pesquisa (dois pontos) o ex-prefeito de São Paulo empata tecnicamente com as três candidaturas citadas acima.

Rejeição

O Instituto também perguntou: “Em quais desses candidatos você não votaria de jeito nenhum no primeiro turno da eleição para presidente deste ano?”

Neste levantamento, portanto, os entrevistados podem citar mais de um candidato. Por isso, os resultados somam mais de 100%.

Vamos aos números:

  • Bolsonaro: 43%
  • Marina: 29%
  • Alckmin: 24%
  • Haddad: 22%
  • Ciro: 20%
  • Cabo Daciolo: 19%
  • Vera: 19%
  • Eymael: 18%
  • Boulos: 17%
  • Meirelles: 17%
  • João Goulart Filho: 15%
  • Amoêdo: 15%
  • Alvaro Dias: 14%
  • Rejeita todos/não votaria em nenhum: 5%
  • Votaria em qualquer um/não rejeita nenhum: 2%
  • Não sabe: 6%

Em relação à pesquisa anterior, a variação da taxa de rejeição foi a seguinte: Bolsonaro, de 39% para 43%; Marina, de 25% para 29%; Ciro, de 23% para 20%; Alckmin, de 26% para 24%; Haddad, de 21% para 22%.

Os outros candidatos não serão analisados. Na questão de votos brancos e nulos, na comparação entre as duas pesquisas somavam 22%, agora, 15%. Não responderam ou não quiseram opinar eram 6%, agora, 7%.

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