PSDB ao Centro

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Em recente entrevista, João Dória, governador de São Paulo; hoje o maior expoente do PSDB no Brasil, afirmou que o partido entra em uma nova fase. E esse processo começou logo após o fim das eleições de 2018, com um resultado nas urnas desfavorável a referida legenda. Em maio, foi realizada uma nova eleição para definir a nova composição da direção nacional, em que o favorito, o ex-deputado federal Bruno de Araújo, sagrou-se o novo presidente do PSDB. Ele conta com o apoio irrestrito de Dória, que dizem que é quem, de fato, o presidente informal da legenda.

EUma das principais bandeiras de Araújo foi a de promover uma ampla reformulação no ninho tucano, que inclui até a possibilidade de mudança de nome. Como já abordado em outros textos por este blog, o futuro da referida legenda ainda é incerto. O resultado das urnas das últimas eleições foi um duro golpe político ao PSDB. A diminuição da musculatura política em âmbito nacional foi notório. Logo após o resultado de primeiro turno, este blog tratou da questão no artigo intitulado: “A derrota histórica de 2018 e o futuro incerto do PSDB”, em que foi feito um raio-x sobre a questão. A legenda teve quase 50% de redução em sua bancada na Câmara Federal ao sair de 54 cadeiras para 29 na atual legislatura. No Senado Federal a queda foi de 12 para 8 cadeiras.

Dória disse que o partido hoje se posiciona no Centro do especto político. Ou seja, não é nem de Esquerda e nem de Direita. A narrativa do governador paulista tem sentido, e reflete a realidade. Apesar de carregar em seu nome a denominação Social Democracia, tal posicionamento nunca foi seguido a risca pelos governos tucanos. Dória sabe que só restou ao PSDB a posição política centrista, como forma de não ser vinculado à extrema Direita, neste caso o campo ocupado pelo bolsonarismo, e obviamente, esteja longe do campo à Esquerda, se distanciando ao máximo do PT e aliados. 

O Bolsonarismo descolocou político-eleitoralmente o PSDB. Os tucanos ficaram sem campo ideológico e programático para atuar junto ao eleitorado. A votação de Geraldo Alckmin na última disputa eleitoral foi a menor entre todas que o PSDB participou, desde 1994. Sem uma mudança interna – que não seja só visual e nominal – os tucanos terão outra derrota significativa nas eleições municipais do próximo ano. O Centro foi  o que restou aos tucanos. A ver. 

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