Sem limites institucionais

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O governo Jair Bolsonaro mostra cotidianamente que não há limites institucionais. O Palácio do Planalto, antes um território restrito e cheio de regras, posturas e protocolos, hoje virou uma grande feira. Filhos e até sobrinho do presidente circulando em áreas restritas, que tratam de assuntos estratégicos e até confidenciais do país, tornou-se algo banal.

Leonardo Rodrigues é primo de Carlos Bolsonaro. Segundo informações levantadas pelo jornal Estado de São Paulo, ele – que não tem função definida ou cargo – já teve a sua presença registrada 58 vezes no Palácio do Planalto (até mais do que o próprio presidente), e participando inclusive de reuniões ministeriais. Descontados os fins de semana e tendo como base os dias úteis, a presença de Rodrigues ocorreu por mais de uma vez em determinados dias. A questão que o citado não tem cargo e nem função no governo. Por que a elevada presença do mesmo, e ainda presente em encontros de governo, em assuntos confidenciais?

Em seu blog, o jornalista Reinaldo Azevedo escreveu: ” Ninguém entendeu quando Carlos Bolsonaro dividiu o Rolls-Royce da posse com Jair Bolsonaro, seu pai, e Michelle Bolsonaro, sua madrasta. Freud à parte, continua sem explicação técnica. Nota: o roteiro do cerimonial não previa o guardião de azul. No ensaio realizado, inexistia tal personagem. E daí? A família não liga para certos formalismos“.

E continuou: “Não há leitura alternativa: Carlos se colocava, com a anuência do pai, como o segundo homem da República — em certas questões que não são exatamente do domínio de Jair — as redes sociais, por exemplo —, é, na verdade, o primeiro. E, como se nota, ele tem ambições que vão além de promover guerrilhas na Internet. Quer ser também um pensador e um estrategista” À sua maneira, foi bem-sucedido, como no caso da queda de Bebianno.

Após o episódio que culminou na saída de Bebianno, Carlos, o filho, voltou ao Rio de Janeiro, onde é vereador na capital. Mas mantém no Palácio auxiliares (alguns nomeados como assessores e outros, como o primo mais próximo sem função) como uma espécie de equipe “patrulha”, em que monitoram tudo. E eles tem acesso até a conta oficial do presidente no Twitter. Carlos a usou, por exemplo, para chamar o agora ex-ministro Bebianno de mentiroso, além da divulgação de áudio do pai, reforçando o ataque.

A atuação da equipe montada por Carlos no Palácio, tem despertado incômodo entre auxiliares e ministros que despacham por lá. Portanto, os limites institucionais estão quebrados. A prole Bolsonaro interfere e toma partido de quase tudo dentro do governo, com a conivência do pai, o presidente. Família e Estado, neste caso estão juntos, quase dissociáveis. Não há limites institucionais.

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