Simão Jatene resolveu agir para tentar salvar o seu projeto político

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A disputa eleitoral foi interrompida ontem, 25, por algumas horas, devido a uma notícia inusitada (porém, para alguns até esperada): o governador Simão Jatene anunciou o seu afastamento temporário do cargo. A licença irá expirar na próxima sexta-feira, 28, podendo ser prorrogada, caso solicitado pelo requerente. Quem assume o cargo de governador temporário é o presidente do Tribunal de Justiça do Estado, (TJPA), desembargador Ricardo Ferreira Nunes, o terceiro na linha de sucessão, haja vista, que os dois nomes que antecedem Nunes (o vice-governador Zequinha Marinho e o presidente da Alepa, Márcio Miranda, estão em campanha, portanto, impedidos pela Justiça Eleitoral de assumir a chefia do Executivo).

Segundo o que foi apurado nos bastidores pelo jornalista Carlos Mendes e publicado em seu blog “Ver o Fato”, Simão Jatene já tinha planejando o seu licenciamento do cargo para o início do mês corrente. Só não o fez antes por negativa do presidente do Tribunal de Justiça em assumir o Poder Executivo.

Sem rodeios, a decisão do governador é uma demonstração que a campanha de seu ungido Márcio Miranda (DEM), não atravessa um bom momento, ou melhor, nunca esteve em bom momento. Jatene percebeu por sua experiência que, na atual conjuntura, há o eminente risco de derrota, inclusive em primeiro turno, para o candidato emedebista Helder Barbalho. Portanto, para salvar o projeto político de seu partido e aliados, (além do próprio), o governador resolveu “entrar em campo”. A questão é que Jatene carrega consigo um alto índice de rejeição, sendo assim, o que se pode esperar do governador? Talvez, o papel de articulador, agindo nos bastidores, usando a sua influência como ferramenta de atração de votos, especialmente junto aos agentes políticos municipais.

Resta saber se a entrada oficialmente de Simão na campanha de Miranda, em sua reta final, será suficiente? Conseguirá, talvez, levar o candidato do DEM ao segundo turno? Jatene é um grande articulador, sabe da necessidade de ir para o embate; deixar de ser o governador para assumir a posição de cabo eleitoral, de coordenador de campanha, todavia, agora, com o candidato de seu governo distante de seu principal adversário. Nem a intensa agenda de inaugurações que o governo promove às vésperas da eleição, estão conseguindo elevar os índices de intenção de voto de Márcio Miranda. O desgaste da gestão Jatene é elevado, especialmente na Região Metropolitana de Belém (RMB), até então reduto quase intransponível dos tucanos nas eleições ao governo do Pará.

Cabe, portanto, a indagação: no caso das pesquisas divulgadas pelos Institutos Doxa e Ibope, este último conseguiu chegar mais próximo da realidade? Mas se a Doxa estiver certa, ou seja, há proximidade entre Helder Barbalho e Márcio Miranda, com o segundo turno mais que garantido (segundo o referido instituto), por que, então, Jatene precisou tomar tal medida? Pode-se dizer que os números da Doxa estão fora da realidade, não refletindo o sentimento das ruas?

A licença de Simão é um sinal claro que o ninho tucano e o grupo que governa o Pará há duas décadas estão receosos pela possível derrota, e consequentemente a perda do poder político. Se Jatene tiver uma postura destaque na campanha, e as próximas pesquisas (para análise de cenário, além das consequências da decisão do governador, seria interessante a comparação entre as pesquisas do Ibope) apontarem o crescimento de Miranda, o atual governador mostrará força perante os seus adversários, colocará o candidato do DEM em situação constrangedora, o que poderá lhe causar – em caso de vitória – forte pressão do PSDB por espaços na montagem do “novo” governo.

Resta-nos aguardar os próximos dias e as próximas pesquisas, em especial a do Ibope, que poderá indicar a real influência ou efeito da decisão de Simão Jatene. A ajuda do governador chegou tarde? Ou a tempo de alavancar a candidatura de Miranda? Em jogo a manutenção da dinastia tucana e as disputas municipais, em 2020.

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