Um novo Carandiru

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Não é de hoje que este blog trata a questão da segurança pública como o maior desafio do governador Helder Barbalho. E o novo mandatário da política paraense não se refutou em assumir tal responsabilidade. A referida área tornou-se a vitrine de sua gestão. Como já dito antes por este blog, a escolha é de alto risco. Ou seja, os avanços podem garantir a Helder um novo mandato; ou caso ocorram problemas, isso poderá causar riscos a manutenção do MDB no comando da política paraense. De qualquer forma, o risco foi assumido. E pelo bem da sociedade, que bom que foi. 

Não é novidade que o sistema prisional no Pará está falido. Unidades prisionais sucateadas, superlotadas e com insuficiência no número de agentes. Aliás, isso não é exclusividade do Pará, os outros entes federativos vivem um caos na segurança pública. O ocorrido ontem, 29, em Altamira é o retrato da realidade. Ao menos 57 presos foram mortos, 16 deles decapitados, 36 por asfixia, no confronto entre facções dentro do Centro de Recuperação Regional daquele município no sudoeste do Pará. A rebelião não culminou só com a maior chacina do ano dentro de presídios do país. É também o maior massacre dentro de presídio desde o ocorrido no Carandiru, que deixou 111 detentos mortos. É também o quinto conflito com alta letalidade nas penitenciárias desde janeiro de 2017. A guerra aberta entre grupos rivais já deixou 227 vítimas fatais.

Segundo o Estadão, está em disputa o controle da tríplice fronteira entre Brasil, Peru e Colômbia, talvez a principal porta de entrada de cocaína no país, numa rota que se inicia lá e desce o rio Solimões até Manaus. Entre os diversos grupos organizados de tráfico, nenhum tem hegemonia no Pará. Há uma ascensão do Comando Vermelho, e as principais vítimas ontem eram justamente do CV, atacados pelo Comando Classe A — CCA. A polícia trabalha com expectativa de retaliação. Ou seja, poderá ter, infelizmente, outros desdobramentos. 

O ministro da Justiça, Sérgio Moro, conversou com o governador do Pará, Helder Barbalho, e se comprometeu a transferir para presídios federais líderes de facções criminosas responsáveis pelas mortes. O governo do Pará anunciou, ainda, que outros 36 detentos serão remanejados. 

Altamira tem capacidade para 163 presos, mas nesse mês contava com 343, apontou um relatório divulgado pelo Conselho Nacional de Justiça. As condições do estabelecimento penal foram classificadas como ‘péssimas’. Entre os problemas, a unidade convive com superlotação e número baixo de agentes penitenciários para garantir a segurança do local. O juiz responsável pela avaliação apontou, ainda, a ‘necessidade de nova unidade prisional urgente. 

Em quase sete meses de governo, Helder Barbalho enfrenta a sua segunda crise na segurança pública. Antes de Altamira, tivemos a chacina no bairro do Guamá, o mais populoso da capital paraense. E outras – infelizmente – virão. O risco foi assumido, e pelo bem da sociedade (independente de questões políticas) devemos torcer para que o governo vença essa guerra. Caso contrário, salve-se quem puder.

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