Vale a pena ler de novo: “O impeachment, a carta e a democracia em xeque”

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Inauguro no blog a série “vale a pena ler de novo”, formato em que busco recuperar textos escritos em um passado recente e relacioná-lo com a realidade ou com fatos que estão na pauta do país. O texto abaixo foi escrito há exato um ano. Naquele momento, a crise política já dominava o cenário político, e desencadeou em outros processos que vivenciamos atualmente. O texto ajuda a entender o atual nível de esquizofrenia institucional que o país atravessa. Só para citar um exemplo, na referida carta o então vice-presidente Michel Temer afirma que Dilma Rousseff não confiava nela. Um ano depois a desconfiança foi confirmada sem questionamentos. Ela estava certa. Boa leitura…

A crise política que o Brasil enfrenta, parece que não terá fim e tende a piorar. Basta um novo acontecimento para que tudo piore e torne a situação em Brasília quase insustentável. O processo de afastamento da presidenta Dilma Rousseff, estava seguindo o seu rito (planejado e conduzido pelo presidente da Câmara Federal, Eduardo Cunha e seus aliados) até ser barrado pelo Supremo Tribunal Federal. Tudo voltou ao ponto inicial.

No meio de toda essa disputa política alimentada pelo autofagismo institucional que impera em Brasília, entre o Executivo e parte do Congresso Nacional, foi divulgada uma carta do vice-presidente Michel Temer que estava direcionada a presidenta Dilma Rousseff. No documento o peemedebista deixa claro o seu descontentamento com a forma de como é tratado pela mandatária do país. O fato tornou-se mais um importante instrumento para terminar de implodir a relação do PMDB com o governo Dilma. A grande mídia afirmou que a carta era a comprovação do rompimento e que o impeachment estaria cada vez mais perto e com o apoio de Temer.

Os fatos relatados acima reforçam e confirmam que a crise política é de grandes proporções e poderá colocar a democracia brasileira em xeque. Mesmo que Dilma não seja destituída o cenário continuará difícil. Como ficará a relação com o PMDB? A relação Dilma e Temer? Governo e base aliada? A economia?

Muitos questionamentos estão na pauta e nem todos deverão ser respondidos. Afirmo sem medo e com convicção: “a crise política, independente do resultado do processo de impeachment, deverá durar até 2018”. Essa afirmação é sustentada pelos próprios acontecimentos e seus desdobramentos. Resta saber é se o país conseguirá resistir até lá? A quem interessa manter a crise que afundará economicamente o país? Por que não se constrói um pacto de governabilidade entre a oposição e o Palácio do Planalto?

A oposição quer “sangrar” o governo. Mesmo que Dilma não sofra impeachment, seu governo seguirá se arrastando até 2018, podendo colocar em risco a candidatura de Lula na próxima eleição presidencial e o próprio projeto de poder do PT. A democracia que foi conquistada com muita luta torna-se um mero detalhe e que poderá ser substituída, se necessário. Cazuza estava certo, sempre esteve. O tempo não para.

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