PSDB continua com Temer, de olho em 2018

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Recentemente abordei a questão do posicionamento político do PSDB em relação à crise e ao governo de Michel Temer. Os tucanos estavam em um verdadeiro labirinto. O partido havia rachado em relação a ser manter no governo, ou abandonar a base governista. A indefinição durou pouco. Os acordos de bastidores logo trataram de indicar um caminho, neste caso, o mais provável: a permanência no governo, dando sustentação política frente a crise política.

A saída do PSDB seria início do fim do governo Temer, que perderia a principal legenda de sustentação do Palácio do Planalto. Os caciques tucanos com a decisão de permanecer assumiram o desgaste político que isso ocasiona. O PSDB que vinha se apresentando como o baluarte da moralidade e combatente de qualquer atitude ilícita, tudo isso caiu por terra quando o senador Aécio Neves foi afastado do cargo por conta de fortes denúncias com provas cabais de recebimento de propina e até ameaça de assassinato. A imagem (sustentada pela grande mídia e mantida por grande parte do judiciário) criou postura de irmandade que o PSDB nunca teve.

Segundo o que se diz pelos corredores do Plano Piloto, a permanência tucana se deu através de amplo acordo com o PMDB. O trato foi simples. Manter apoio ao governo em troca da sobrevivência política de Aécio Neves e aos tucanos que estão enrolados com a Lava Jato e precisam do foro privilegiado. Os tucanos precisam dos votos peemedebistas no Senado (a maior bancada partidária) para salvar o neto de Tancredo. No acordo ainda estaria o apoio do PMDB ao PSDB na próxima disputa presidencial. Isso se confirma pela defesa feroz da permanência deflagrado pelo governador Geraldo Alckmin, pelo ex-ministro José Serra e prefeito João Dória, coincidentemente os nomes que figuram entre os presidenciáveis tucanos.

Para amenizar a incoerência tucana no processo político, o partido afirma que a decisão poderá ser revista, caso seja necessário. A questão é clara: enquanto Temer se mantiver com condições mínimas de governabilidade, o PSDB se manterá na base. O Palácio do Planalto parece contornar a fase mais aguda da crise política, a renúncia parece algo cada vez mais improvável, sem a concretude de antes. Se nenhum novo fato ocorrer, Temer se manterá, apesar da falta de apoio popular e com recordes de impopularidade, e com os tucanos abraçados.

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