PSDB em um labirinto político

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O PSDB perdeu a oportunidade de deixar a base do governo Temer quando a crise política se aprofundou por conta das delações da JBS que atingiram diretamente o presidente da república. No ápice do processo, quando a Globo abandonou o apoio velado ao governo e deferiu diversos ataques, os tucanos ficaram ensaiando movimentos de saída, emitindo nota pública que iriam esperar novos desdobramentos. Puro blefe. Continuam na base governista, sendo a legenda de maior sustentação política do Palácio do Planalto depois do PMDB.

O processo é claramente um jogo de xadrez. Cada movimento é estudado em detalhes. O PSDB justificou a sua permanência na base governista por conta das reformas. Na verdade, esperam (como muitas outras legendas) a decisão do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) que hoje, 6, irá julgar a cassação da chapa Dilma-Temer (processo pedido pelo próprio PSDB, logo após o resultado das eleições).   

Se a chapa for cassada, outro processo político da intermitente crise no setor ocorrerá. Eleições indiretas é o mais provável sem a mobilização social, e o PSDB poderá aparecer como favorito na indicação de um nome. O do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso desponta com força pelos corredores de Brasília, como opção para a transição até as eleições do próximo ano.

De certo é que Michel Temer não renunciará e nem governará. Seu governo acabou, não têm condições políticas de seguir. Seu objetivo é se manter no cargo e só. Esse cenário esquizofrênico fortalece Lula, o que já é confirmado por diversas pesquisas, em que o petista aparece liderando com folga.

Conforme abordei em outro texto, o governo Temer poderá ser o principal “cabo eleitoral” do ex-presidente. O fator “saudade” poderá ser um ingrediente importante. E o PSDB para 2018 será uma grande incógnita. O curso normal aponta para a escolha do atual governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, pelo menos é o mais competitivo. O prefeito João Dória deverá suceder a Alckmin no Palácio dos Bandeirantes. Tudo isso depende do TSE.

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