PT sofre dos próprios avanços e conquistas

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É
inegável que o PT vive um momento especial. Desde quando chegou ao poder
central em 2003, o partido não vive uma fase tão ruim. Nem mesmo no auge do
escândalo do mensalão, época do governo Lula, estava-se nos patamares de
críticas e descrenças atuais. E o que explica isso? O que teria feito aumentar
o antipetismo de forma significativa?
Vários
fatores podem – tentar – explicar essa baixa aceitação do partido. Antes das
constatações, se faz necessário que se reconheça que o país melhorou, avançou
economicamente e reconhecidamente em âmbito mundial: na área social.
Os
avanços promovidos pelo referido partido podem ser responsáveis pela própria
baixa que a legenda vive. Antes se buscava combater as desigualdades sociais,
promover a ascensão social de milhões de brasileiros. Isso de fato aconteceu. A
própria ONU reconhece o feito conquistado pelos petistas nesses 13 anos de
governo.
Os
milhões de brasileiros que subiram socialmente já querem outros avanços. Deixam
aos poucos de atribuir ao PT a própria melhora de vida. Querem mais. São mais
exigentes. Não se contentam com o que conquistaram. Isso explica, por exemplo,
o avanço dos votos da oposição na classe mais baixa, antes dominada pelo PT. Os
programas de transferência de renda como o Bolsa Família, por exemplo, deixaram
de ter o reconhecimento, mesmo por aqueles que se utilizam do benefício.
O
avanço social dos milhões de brasileiros permitiu ao PT esmagar a oposição nas
urnas. Foi assim com Lula duas vezes. Com Dilma em 2010 essa supremacia nas
urnas já havia diminuído. As manifestações orquestradas em 2013, além de serem
oportunamente fomentadas, deixaram o seguinte recado (reconhecido à época por
muitos petistas): “o povo quer mais”. Recado simples e direto ao partido. O PT
precisaria se reinventar, promover mais avanços, sair do atendimento quase que,
exclusivo as classes mais baixas, buscar outras, por exemplo. O que foi feito
até aqui continua lhe garantindo a permanência no Palácio do Planalto, mas já
não são garantias. A eleição de 2014 foi o maior exemplo. Aécio Neves obteve
significativos votos nas classes E, D e C.
Outro
ponto: Dilma não é Lula. O eleitor sabe disso. A presidenta não conseguiu criar
identidade com o eleitorado petista (exceto em período eleitoral quando a
militância se mostra forte, independente de insatisfações com o governo ou
partido). Por isso que o antipetismo cresce. Lula sabia se utilizar da própria
figura (o fenômeno do lulismo, maior do que o PT em algumas situações) para
preservar o partido, manter a legenda sob o seu “escudo”. Dilma não faz isso e
nem teria capacidade de fazer. Seu perfil é outro.
A
mídia e seus ataques sistemáticos ao PT contribui para o aumento do
antipetismo. Esses ataques não começaram agora, sempre existiram desde a
chegada de Lula ao Palácio do Planalto. A diferença é que antes, com o petismo
em alta, surtiam poucos efeitos. Hoje, com o cenário invertido, aceitação
popular em baixa, os ataques são devastadores ao PT.
Com
os deslizes econômicos do governo Dilma, a maior bandeira do PT: o combate à
pobreza e melhor distribuição da renda podem ficar comprometidos. As medidas
palacianas, lideradas por Joaquim Levy são tomadas conforme as recomendações de
Dilma, para que preservem ao máximo os programas sociais.
Como
todo partido que passa anos no governo, o PT sofre desgaste natural da própria
imagem. Em 2018 Lula poderá ser novamente o candidato e tentar recuperar a
imagem negativa que o partido carrega. A referida legenda precisa se
reinventar, mudar, deixar de ser visto como uma legenda igual as outras, nas virtudes
e erros. O ou PT muda, ou deverá perder musculatura eleitoral a cada disputa e
ter que desembarcar do Palácio do Planalto em breve.

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