Que tiro foi esse?

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“Que tiro foi esse?
Que tiro foi esse que ‘tá um arraso!
Que tiro foi esse?
Que tiro foi esse que ‘tá um arraso!”

O trecho da música é da cantora de funk Jojo Todynho (também conhecida por Jojo Maronttinni), estourou no Brasil no fim de 2017. O tema da canção virou trilha sonora para diversos memes que viralizaram nas redes sociais. Pois bem, o hit agora reflete bem o que está ocorrendo na disputa eleitoral, em Parauapebas.

Vamos recapitular…

No dia 15 do mês passado, o citado candidato estava em uma camionete em companhia de mais três pessoas, cumprindo agenda de campanha na Vila Carimã, na zona rural, distante 40 km da sede do município. No retorno, a camionete em que os quatro estavam, foi interceptada por outro veículo com – segundo a versão dada pelo candidato e as pessoas que o acompanhavam – três elementos, que atiraram em direção a eles. Júlio César teria sido atingido com um tiro no peito que atravessou o seu corpo, saindo pelas costas. O candidato foi atendido em um hospital particular e dois dias depois já estava liberado da unidade hospitalar. Em nenhum momento, segundo os profissionais que o atenderam, ele esteve sob risco de morte.

No dia seguinte ao ocorrido, devido a algumas contradições narradas, crescia a percepção de que o caso poderia ter sido armado. A cúpula da Polícia Civil foi destacada da capital, assim com os melhores peritos para elucidar o caso. Três semanas de investigações produziram: reconstituição do fato, laudos e provas. Todo o material levantado foi verificado pelos Instituto de Perícia Criminal em conjunto e Universidade Federal do Pará (UFPA), que produziram um laudo conclusivo que se comprova cientificamente que versões e depoimentos narrados pelas testemunhas, não condizem com a realidade.

O laudo afirma que o veículo usado por Júlio César estava parado ou andando a, no máximo, nove quilômetros no momento dos disparos. Na bala retirada de Júlio César, foi encontrado um pó branco, que também foi avaliado pelos peritos. Eles coletaram material do para-brisas, da camisa usada pela suposta vítima, de um barranco localizado perto do local dos disparos e de um gesso comercial comum. Conclusão: pó não é de nenhum desses materiais, inclusive do para-brisa por onde, em tese, a bala deveria ter trespassado. Com isso, supõe-se que Júlio César recebeu o tiro em outro local, para depois ser colocado dentro do veículo.

Portanto, o laudo é totalmente divergente do que foi dito, em depoimento, por Júlio César e pelos outros três integrantes do veículo. Com o laudo técnico-científico, será aberto inquérito policial e os quatro serão novamente ouvidos pela Polícia. Caso o inquérito confirme a farsa, o candidato poderá responder por denunciação caluniosa (falso testemunho) e o Estado ainda poderá requerer ressarcimento e indenização já que houve gasto de dinheiro público com a perícia, por exemplo, no deslocamento de servidores.

A mentira mostra que não vale tudo para ganhar uma eleição, muito menos forjar um crime. Que os responsáveis por esse ato deplorável, sejam punidos e que os eleitores de Parauapebas mostrem na urna, no voto, que não aturam jogo sujo.

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