Quem muito quer, nada tem

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Se há um ditado popular que parece ter expressão universal, é esse: “Quem muito quer, nada tem”. Não consigo imaginar uma situação em que não se aplique. Para o guloso – e não estou falando apenas do exagero alimentar – mesmo tendo muito, sempre faltará algo. A sensação de falta o fará sofrer. Para o ingrato – em qualquer âmbito – o maior valor está depositado não no que tem, mas no que não tem. A sensação de falta o fará sofrer.

Mas não é só a sensação de falta que existe. Às vezes a perseguição aos “tesouros” acaba consumindo tudo o que a pessoa tem. E o tal tesouro nunca vem. Para aquele que anseia o poder é rigorosamente a mesma coisa. Ele deposita maior desejo naquele que o outro tem, ao invés de bem usar o que possui. E isso vale também para o Estado, seu poder de imposição, repartição de poderes e disputa entre entidades.

Dito isto, podemos transportar tal ditado popular para o tabuleiro político de Parauapebas. A peça principal nesta analogia é a vereadora Joelma Leite. A parlamentar em questão tem estrada, rodagem na política. Sua primeira disputa eleitoral foi em 2004, quando se candidatou a vereadora pelo Partido dos Trabalhadores (PT), ocasião que obteve 406 votos. Não se elegeu, todavia, ingressou no governo do então eleito pela primeira vez, Darci José Lermen. Ficou como secretária os dois mandatos do então petista.

Na eleição de 2008, a sua votação mais do que dobrou, chegando a 904 votos. Novamente não foi eleita. Em 2012, obteve 1529 votos, tornando-se a primeira suplente de seu partido. Três anos depois, em setembro de 2015, enfim conseguiu chegar à Casa de Leis, por conta do afastamento de José Arenes, seu correligionário, por decisão judicial.

Ao assumir, Joelma fez o seguinte discurso: “Digo a vocês, com muita convicção, que estou do lado do povo, do lado de Parauapebas. Não posso fechar os olhos para a crise institucional instalada em nosso município. Diante da situação catastrófica em que nos encontramos, não me resta outra alternativa senão atuar como oposição ao governo”. Porém, logo após ter sentado na cadeira legislativa, Leite esqueceu o discurso e se desfilou do PT, ingressando no PSD, legenda do então prefeito Valmir Mariano. Por inércia e sem maiores constrangimentos, a vereadora em questão logo integrou a base do governo municipal, gestão que ela havia declarado ser opositora ao assumir no parlamento. Por que mudou tão rápido de opinião? O que lhe teria feito apoiar uma gestão que teceu críticas e anunciou ser oposição? Eu sei e vocês sabem…

Em 2016, Mariano não consegue se reeleger e Lermen retorna ao Palácio do Morros dos Ventos, pela terceira vez, após vencer a disputa eleitoral daquele ano. Leite, por sua vez, sai da condição de suplente, e, pela primeira vez, após quatro disputas eleitorais, se elege vereadora pelo PSD com 1720 votos. Naquele momento, início de 2017, continuava filiada ao PSD, legenda que, na teoria, se posicionava na oposição ao novo governo; todavia, novamente, a exemplo de sua mudança brusca de rumo ao assumir como suplente, em 2015, ela muda de posição novamente, passando a integrar a base do governo Darci, com direito a secretaria e cargos.

A relação entre a parlamentar e a gestão municipal durou até o início do ano corrente. No intervalo disso, Joelma Leite troca o PSD pelo Democratas, com a promessa de ser candidata a prefeita agora em nova legenda, haja vista que Valmir Mariano seria novamente o candidato a prefeito, pelo PSD. A estada da vereadora no DEM foi breve, trocando novamente de partido; ingressando agora no Partido Liberal (PL), em acordo costurado com a executiva estadual, em Belém. Novamente a troca ocorreu porque Leite queria manter a sua candidatura ao Executivo.

O PL inclusive realizou no último dia 10 de setembro de 2020, na Câmara Municipal de Parauapebas, reunião para definir a sua convenção. No evento ficou definido que Joelma Leite seria candidata a prefeita, tendo como vice Renato Aguiar, do mesmo partido. Dias depois, a vereadora desistiu de sua candidatura e apareceu na convenção do PSD, declarando o seu apoio ao ex-prefeito Valmir Mariano, levando consigo o PL para compor a coligação.

A vereadora Joelma Leite foi às redes sociais reafirmar que manteria apoio ao ex-prefeito Valmir Mariano, em revelia a decisão de seu partido. Afirmou que se sentiu traída pelos dirigentes da legenda. Logo ela para dizer isso? Joelma Leite acumula troca de partidos como poucos em Parauapebas: PT, PSD, DEM e PL. Por que essa última legenda a deixou a ver navios?

Por que criou problemas na relação com o seu colega de parlamento Ivanaldo Braz quando ambos estavam à frente da Secretaria de Segurança Institucional e Defesa do Cidadão (Semsi), que acabou por culminar com a saída do então secretário Wanterlor Bandeira daquela pasta? E o ato de descumprimento acordado para apoiar Luiz Castilho na votação para a mesa diretora da Câmara? Por que deixou de apoiar a atual gestão municipal e passou atacá-la? Parece que acordos são para não serem cumpridos pela parlamentar.

Em conversa com um antigo morador de Parauapebas, que conhece bem a história política do município desde seu nascedouro, mas que pediu para não ter seu nome citado, o Blog apurou que Joelma Leite vem dando tiros no próprio pé desde quando chegou – ainda suplente – ao parlamento. “Quem queria o mundo ficou sem nenhuma rua”, citou a fonte a este veículo. Agora, Joelma Leite que queria ser prefeita, não será nem vereadora. O ditado que deu título a este artigo, se encaixa bem ao modus operandi da referida parlamentar: “Quem muito quer, nada tem”.

1 COMENTÁRIO

  1. […] Em 2016, 307 candidatos constavam na urna. Agora temos 435, um aumento de (41,69%) em quatro anos. A concorrência ao parlamento municipal é considerável. São 28 candidaturas por vaga. Aliás, dos atuais 15 vereadores, 13 deles disputam à reeleição. Quem não registrou candidatura entre os edis foram João do Feijão (PSB) e Joelma Leite (PL). Ele não apresentou justificativa; ela tentou concorrer a prefeita, e acabou ficando sem nada. Sobre esse fato, o leitor do Blog pode se aprofundar: “Quem muito quer, nada tem”. […]

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