Rapidinhas do Branco – CLXIV

EXPEDIENTE QUENTE

Na primeira Sessão Ordinária de 2026 da Câmara Municipal de Parauapebas, o clima esquentou e provocou diversas consequências. A primeira delas foi a exposição negativa que o governo impôs à sua base na Casa, quando enviou um pedido de urgência referente a um polêmico projeto que trata do auxílio-alimentação dos servidores municipais, mas que foi contida pela grande pressão popular. No grande expediente, entre acusações e ataques, o destaque ficou nos embates entre os vereadores Zé da Lata (Avante), Zé do Bode (UB), Maquivalda Barros (PDT) e Anderson Moratório (PRD).

GUERRA DECLARADA I

Em uma live no final da noite de anteontem, 19, feita após uma acachapante derrota na Câmara Municipal, o prefeito Aurélio Ramos voltou ao seu estado “normal”, sem maquiagem, sem controle. Visivelmente abalado emocionalmente, o mandatário da capital do minério, soltou o verbo direcionado aos citados vereadores oposicionistas na nota anterior. Avisou que, a partir da próxima segunda-feira, 23, irá expor o que sabe, o material que tem guardado, ou seja, “cartas na manga”, além de retornar com as auditorias iniciadas no ano passado. A live do gestor foi feita em discordância geral de seu grupo político lhe dará “dor de cabeça” futuramente.

GUERRA DECLARADA II

O epicentro do embate e que gerou a live do prefeito Aurélio Ramos, foi a forma como o presidente da Câmara Municipal, Anderson Moratório, se dirigiu ao seu colega de parlamento, o vereador Zé da Lata, pai do mandatário. O que chama atenção foi que, o episódio dito como causador da fúria do prefeito, gera estranheza, pois o citado parlamentar do Avante já teve outros embates pesados com a oposição, e ficou por isso. O que se diz é que a negação unânime dos vereadores governistas em relação ao pedido de urgência, deixou Ramos furioso.

GUERRA DECLARADA III

Em seu discurso, Anderson Moratório, deixou claro que a Casa de Leis não será submissa e muito menos um “puxadinho” do Executivo (postura antecipada por esta coluna). O embate está posto entre os Poderes. Nesse meio se encontram os vereadores da base governista, que sentirão a pressão popular aumentar. O povo, pelo visto, voltou a frequentar o parlamento e cobrar da Casa postura altiva em relação à gestão municipal.

VARRIDO PELO ALGORITMO 

O governo virou tela. Tela o tempo todo. Postagem, reação, postagem de novo. Mas rede social não é gestão. O algoritmo exige velocidade, repetição, conflito. E quem entra nisso perde o controle do próprio discurso. Ninguém vence o algoritmo. Ele engole. Ele nivela. Ele transforma política em ruído. Aurélio Ramos parece preso nesse ciclo. Repete slogans, revive fantasmas, acusa o passado porque já não consegue produzir presente. Falta repertório, sobra repetição. Quando o governo existe mais na rede do que na cidade, a narrativa começa a governar o próprio governante. Tema que será tratado no Branco em Pauta.

FISCAL DO POVO

Estrategicamente, ao começar a gestão Ramos, o vereador Zé da Lata herdou o colete e o papel de “Fiscal do Povo”, justamente para não permitir que outro parlamentar tivesse esse “carimbo”. Contudo, as fiscalizações e atuações do nobre edil foram esvaziadas, justamente por conta de uma gestão que pouco fez até o momento. No parlamento, a pressão tende aumentar, o que já aconteceu no primeiro expediente do ano.

TRINCHEIRA À VISTA

O prefeito Aurélio Ramos voltará ao seu personagem “O Doido”, este que envolve truculência e embate testa a testa com seus adversários. Entretanto, algo que Ramos não entendeu desde o dia 1 de janeiro de 2025, passou a ser o gestor e não mais legislador. Ou seja, deixou de “tacar pedra” para ser “vidraça”. Qualquer garfe ou deslize cometido na volta do seu “personagem” poderá lhe custar o mandato. E não adianta vir com discurso de ser contra o sistema; pois agora, faz parte desta engrenagem.

MEDO PARLAMENTAR

Em live, o prefeito Aurélio Ramos deixou claro que irá expor toda a “verdade” e que, ao que parece, estaria sendo coagido ou pressionado, segundo ele, a falar menos e ouvir mais. Tem vereador da própria base que não dorme direito há dois dias. Afinal, foi avisado que ter conversas com o atual mandatário em sala fechada não era uma das melhores ideias. Como dizem por aí: “Doido é quem confia em doido”.

RESPIRO

Com o mandato de senador cassado no Tribunal Regional do Pará (TRE-PA) e recurso no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o senador Beto Faro (PT), ganhou um novo respiro. O ministro André Mendonça deixa claro em sua decisão que o julgamento feito no âmbito estadual apresenta indícios que tenha sido feito de forma irregular, portanto, terá que ser refeito, para que possa retornar à Corte Superior.  Sendo assim, o processo do petista desce alguns degraus, dando sobrevida política a Faro. Enquanto isso, sob o seu comando o PT vai definhando.

Imagem: fotomontagem

Henrique Branco

Formado em Geografia, com diversas pós-graduações. Cursando Jornalismo.

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