Rede estadual de ensino não retornará no início de agosto. E a Semed-Parauapebas?

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Ontem, 16, o governador Helder Barbalho anunciou em suas redes sociais que o retorno da rede estadual de ensino que estava, a priori, programada para o início de agosto, será adiado. A decisão foi pautada na análise do cenário epidemiológico do estado, tendo como base recomendações de autoridades de saúde. O retorno depende e necessita de toda a segurança dos protocolos. Não há definição de outra data.

O chefe do executivo estadual reforçou ainda que o Pará é o estado brasileiro que mais diminuiu os números de casos e óbitos da Covid-19, nas últimas semanas. “No entanto, alertas importantes de cientistas e médicos para que tenhamos cuidado, e sejamos cautelosos nesta volta às aulas. Quando as aulas voltarem, teremos uma série de protocolos e medidas complementares que farão a diferença, como a distribuição de milhões de máscaras para os alunos e profissionais da rede pública estadual de educação”, reforçou.

No próximo dia 15 de agosto será feita uma nova avaliação da situação da Covid-19 nas oito regiões do estado, baseado em projeções de pesquisas e números de leitos clínicos, números de UTIs, casos novos e números do óbitos. “Além do percentual da presença do vírus detectado na nossa pesquisa epidemiológica que está sendo feita pela Uepa. A retomada acontecerá à luz da ciência, recoberta com todos os cuidados sanitários necessários”, complementou Helder Barbalho.

Cada município paraense está estudando a forma de como será o retorno das aulas presenciais. Cada municipalidade possui um cenário particular sobre a pandemia. No caso de Parauapebas, tendo como referência o site da Secretaria Estadual de Saúde (Sespa), temos 13090 infectados, com 142 óbitos. A taxa de letalidade está em 1.08%. Portanto, o cenário está “controlado”, mas isso não garante a segurança necessária para o retorno das aulas presenciais.

Autoridades de Saúde afirmam que a maioria das crianças e jovens são assintomáticos, ou seja, podem está ou ser infectados, mas não apresentam sintomas, todavia, podem passar a sua carga viral para outras pessoas. Ou se infectar, por exemplo, na escola e levar o vírus para casa.

Há uma clara intenção da Secretaria de Educação de Parauapebas em retomar as aulas presenciais. Antes das férias escolares foi debatido um amplo protocolo de segurança. Inclusive (como postado neste Blog), na semana passada, a Semed convocou reunião com representantes de vários segmentos com o objetivo de criar uma comissão para discutir medidas e ações para a retomada das aulas na rede municipal de ensino, suspensas devido à pandemia do novo coronavírus.

A comissão é composta por representantes das secretarias de Saúde (Semsa), de Assistência Social (Semas) e Educação (Semed), conselhos municipais de Educação (Comepa) e dos Direitos da Criança e do Adolescente (Comdcap) de Parauapebas e do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras em Educação Pública do Pará (Sintepp). Na primeira reunião, no gabinete do secretário de Educação, Luiz Vieira, os integrantes solicitaram a participação de especialistas da Vigilância Sanitária.

A comissão ainda se reunirá para avançar nas tratativas. A questão é que Parauapebas – mesmo em meio a uma pandemia – continua tendo intenso fluxo de pessoas (mesmo com o aeroporto fechado). Recolocar dezenas de milhares de alunos nos recintos escolares é algo extremamente perigoso. Até o setor jurídico da Secretária Municipal de Saúde se manifestou em resposta ao memorando 1745/2020, recomendando o retorno presencial (caso seja decido dessa forma) de forma lenta e gradual. O receio é que essa comunidade toda (alunos e profissionais da educação) fiquem expostos e com isso ocasionar o que se chama de “segunda onda”, quando o número de infectados sobe rapidamente, criando forte pressão sobre o sistema de saúde.

A questão é complexa e precisa inclusive de um entendimento regional. Sabe-se que, municípios vizinhos como Curionópolis e Eldorado dos Carajás, possuem sistemas de saúde limitados e que não suportariam um aumento elevado de casos de Covid-19, caso as aulas presenciais retorne nessas municipalidades. O que acabaria por pressionar o nosso sistema municipal.

A Semed deve priorizar a prudência e adiar qualquer possibilidade de retorno para a primeira quinzena de agosto. Até o início do próximo mês poderá ser possível o uso de uma plataforma digital (que aliás, este que vos escreve testou). A nossa realidade (grande parte das salas de aulas lotadas, e ainda a existência de anexos) requer muito cuidado. A vida humana (que vale tão pouco neste país) é o bem maior. O resto vem depois.

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