Resiliência tucana

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Essa semana tende a ser decisiva no cenário político-eleitoral, sobretudo no campo do que se costumou-se chamar de Terceira Via. PSDB e MDB devem definir seus futuros na corrida presidencial, com a participação do Cidadania na questão. Além desse fato, há os mais recentes capítulos do caso que envolve o pré-candidato tucano à Presidência da República e o próprio partido.

O fato mais novo dentro do autofagismo tucano foi a carta escrita e enviada pelo ex-governador de São Paulo ao comando da Executiva nacional da legenda. Ao ser recebido e lido o documento, o presidente do PSDB, de imediato convocou uma reunião da cúpula do partido para essa terça-feira (17), com objetivo de discutir o teor da carta. Nela, Dória demonstra todo o seu descontentamento com o partido, que segundo ele não está apoiando a sua pré-candidatura ao Palácio do Planalto. O tucano chamou de “golpe” e também usou o termo “tapetão” para denunciar a manobra partidária para encerrar a sua pré-candidatura.

Como já dito neste blog diversas vezes, o PSDB vive intenso processo de desidratação eleitoral, desde 2014, último ano em que o partido disputou a eleição presidencial de forma competitiva. Desde 2018, os tucanos vem perdendo musculatura política. Um exemplo claro é a bancada do PSDB na Câmara dos Deputados, que soma 24 assentos, a menor de toda a sua história. O que se diz é que nas eleições de 2022, essa representação ficará menor ainda. O partido sabe que não tem chance na disputa presidencial, portanto, quer priorizar a formação de bancadas legislativas nos estados e em Brasília, além é claro, manter a joia da coroa: governo de São Paulo, reduto tucano desde 1994.

O governador Rodrigo Garcia, que substituiu Dória, vem crescendo nas últimas pesquisas, porém, longe de possibilidade de disputar o segundo turno, pois oscila – dependendo do levantamento – entre quarto e quinto lugares, passa longe do ex-governador. Pesquisas encomendadas pelo PSDB mostram que ao se associar a imagem dos dois, Garcia perde votos. Por isso, o movimento interno de encerrar a pré-candidatura de Dória.

Efeito prévias

A crise interna que o PSDB vive foi ocasionada, sem dúvida, pela realização das prévias. Não se permite abertura de opinião interna em um espaço dividido, como foi feito, pois, independente do resultado, haverá continuamente questionamentos. Não esqueçamos que temos o ex-governador gaúcho Eduardo Leite, que ainda tenta – mesmo após ter perdido as prévias – ser o candidato do partido à Presidência da República.

A Executiva Nacional do PSDB é composta por 34 dirigentes e que a maioria não quer a manutenção da pré-candidatura de João Dória ao Palácio do Planalto, defendem uma chapa com o MDB, que tenta viabilizar a candidatura da senadora Simone Tabet.

A carta do ex-governador de São Paulo é um sinal de que, caso o partido não o apoie, buscará judicializar a questão. Pelo visto, ao autofagismo tucano ainda está longe de ser resolvido. A ver.

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