S11D: a confirmação que o Pará vai ficando cada vez mais distante de Carajás

O título desta postagem poderá levar o leitor a imaginar que este blogueiro configura-se em franco processo esquizofrênico ou, no mínimo, perdeu a noção do que se atreve a escrever. A região sudeste do Pará que se mistura economicamente com a sul (especialmente na questão da agropecuária) configura-se como região de Carajás, que até pouco tempo atrás estava buscando se desmembrar territorialmente do Pará, almejando torna-se um novo ente federativo brasileiro.

De fato, para quem vive nas regiões citadas, o resto do Pará não passa de um “vizinho”. A capital, Belém, então, se assemelha mais aos feudos medievais, no período da Idade Média, tamanho é o seu processo de isolamento em relação ao restante do território. Parece viver cercada por muretas intransponíveis, que a colocam em uma redoma, isolando-a do restante do território continental paraense.

No último fim de semana, por conta da inauguração do maior projeto mineral do mundo, em Canaã dos Carajás, sudeste paraense, essa tese mostrou a sua aplicabilidade, infelizmente, da pior forma possível. Um empreendimento que poderá gerar recursos ao governo do Pará na ordem de 70 milhões de reais por ano em tributos estaduais, não recebeu nenhum representante do Palácio dos Despachos. Nenhum representante do governo esteve no evento.

Não se esperava a presença do governador Simão Jatene na cerimônia. O mandatário da política estadual não esconde a sua antipatia para com a região de Carajás. Mas, desta vez, Jatene, teve uma boa desculpa para justificar a ausência: seu filho, Alberto, foi preso na sexta-feira, na operação Timóteo.

Na ausência do titular, deveria ter comparecido – pela importância do evento – o vice-governador, Zequinha Marinho, por ter base eleitoral na região. Mas não apareceu, nem passou perto da Serra Sul. Nenhum secretário compareceu ao evento, pelo menos para representar o governador. De autoridade política estadual, estavam os deputados Sidney Rosa (PSB) e João Chamon (PMDB).

É desta forma que o maior projeto mineral do mundo, na região de maior concentração de minério de ferro em quantidade e de melhor teor é tratada. Com certo desprezo, com irrelevância, com certo desdém. Até quando? Não restará outro caminho a Carajás que não seja a emancipação? O desdobramento territorial?

Não há dúvida que a cada dia o Pará vai ficando cada vez mais distante de Carajás. Nem o maior projeto mineral do mundo, despertou o interesse do clã político paraense, mesmo esse se servido das riquezas que são extraídas da maior província mineral do mundo, em tese, em solo paraense.

Henrique Branco

Formado em Geografia, com diversas pós-graduações. Cursando Jornalismo.

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