Salvem o Rio Parauapebas

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O rio Parauapebas foi tema de diversos artigos no Blog do Branco, quase todos abordando os problemas que o referido curso d’água vem apresentando nos últimos anos, sobretudo, no verão amazônico, período de estiagem que provoca queda acentuada em seu volume de vazão.

Pode não parecer, mas o rio Parauapebas é extenso. São 350 km de sua nascente no município de Água Azul do Norte, passando por Canaã dos Carajás, Parauapebas, até encontrar já em terras marabaenses, o rio Itacaiúnas. É formado pela junção do Ribeirão do Caracol com o Córrego da Onça, ele recebe pela margem esquerda o Córrego da Goiaba, os igarapés Gelado e da Gal e os rios Sossego e Sapucaia. Pela margem direita recebe o Igarapé Ilha do Coco e os rios Plaquê, Verde, Novo e Caracol. Vale destacar que o Rio Caracol é um e o Ribeirão do Caracol é outro.

As problemáticas são conhecidas por quem vive na região: estiagem (leito fica bem abaixo do estado mínimo necessário para que o seu curso de água funcione normalmente); tratamento inadequado do esgoto produzido. Esse material é despejado nos córregos que cortam a área urbana e que acaba por desaguar no rio. São sete bairros que estão na margem do rio Parauapebas; devastação criminosa de suas matas ciliares e da retirada de areia e seixo de seu leito, assim como o assoreamento de igarapés e córregos que alimentavam suas águas.

Em 2012, pesquisadores da Universidade Federal do Pará (UFPA) produziram um documento intitulado: “Diagnóstico da Qualidade da Água do Rio Parauapebas”, revelando à época que o desmatamento das matas ciliares, a atividade mineradora, a retirada de areia e seixo para construção civil e a expansão urbana não planejada, com a invasão irregular da beira do rio, têm causado impactos nocivos ao Parauapebas.

O índice de qualidade da água indica que tem havido transformações graves no rio e que, se nada for feito para conter o desgaste, em futuro não muito distante, a capacidade de uso e reuso da água estará comprometida, o que pode ser um grave problema principalmente para Parauapebas, que corre o risco de vir a sofrer com racionamento de água.

Pois bem, nove anos depois deste estudo, equipes da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma) de Parauapebas, recentemente percorreram 90 km do rio que leva o nome da cidade para mapear suas potencialidades e pontos críticos, avaliar a qualidade da água, entre outras ações durante a expedição “Conhecer para conservar”, realizada entre os dias 23 e 25 de julho, com apoio do Corpo de Bombeiros e da Defesa Civil.

Tal iniciativa tem como principal objetivo levantar informações para embasar o mapeamento e o planejamento de trabalhos do Programa de Conservação do Rio Parauapebas, desenvolvido pela Semma. A boa notícia é que a parte de cima do rio, no trecho que passa por Parauapebas, está, segundo os técnicos que acompanharam a expedição, bem conservada. Porém, em outros, especialmente na divisa com Canaã dos Carajás, o referido curso d’água apresenta pontos críticos.

Na parte mais degradada, os profissionais encontraram três pontos: um ponto de extração de areia do tipo balsa/draga e dois pontos de extração de ouro. Encontraram ainda indícios de caça ilegal, com trilhas dentro da Floresta Nacional de Carajás, além de trechos com desmatamento ilegal da mata ciliar e pontos de captação clandestina de água para irrigação de lavouras, sem a devida autorização ambiental.

Segundo matéria da Ascom da Prefeitura de Parauapebas, a partir dos dados levantados, a Semma vai reforçar as ações de educação ambiental nos balneários, limpeza do rio, monitoramento da qualidade da água, fiscalização de combate aos crimes ambientais. A expedição terá como medida conclusiva em sua primeira fase a produção de um diagnóstico ambiental do rio Parauapebas e dos seus principais afluentes, identificando e classificando as áreas com possibilidades de uso da água para consumo humano ou de animais, lavouras, banhos, atividades de extração, preservação e ecoturismo.

A discussão sobre a extração mineral e consequentemente o futuro econômico da “capital do minério”, não deixa que outras pautas entrem em debate. Parauapebas poderá ficar sem minério nas próximas décadas, mas antes disso, se nada for feito, poderá não ter água suficiente para atender os seus moradores. Salvemos!

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