#TBT do Blog: HGP. A “bala de prata” do governo Valmir

O ano era 2016, precisamente o primeiro dia do mês de julho. No meio da tarde, um grande evento aconteceria na capital do minério: a inauguração do Hospital Geral de Parauapebas (HGP), o maior estabelecimento de saúde pública das regiões Sul e Sudeste do Pará, com 11,7 mil m² de área construída. Naquele momento, o governo do então prefeito Valmir Mariano, do PSD, estava muito mal avaliado, com sério risco de não se reeleger, com o retorno à cena político do ex-prefeito Darci Lermen, que havia se filiado ao PMDB, hoje MDB. Portanto, a inauguração do HGP seria, digamos, a “bala de prata”, o último tiro, para conquistar votos e se manter no poder.

O Blog do Branco relembra o leitor desse importante fato da história política de Parauapebas, em mais uma produção da coluna “#TBT do Blog”. Boa leitura. 

A expressão bala de prata foi adotada como uma metáfora para designar uma solução simples para um problema complexo com grande eficiência. É tipicamente empregada no mundo da tecnologia, em especial na de informação, referenciando-se a um novo produto ou tecnologia com o qual se espera vir a resolver um problema anteriormente existente.

No caso de Parauapebas, a “bala de prata” é o novo Hospital Geral que foi entregue no último dia 01 (01/09/2016) pelo governo do prefeito Valmir Mariano (PSD), no prazo limite estipulado pela Justiça Eleitoral para que os gestores em processo de disputa de reeleição possam inaugurar obras públicas. Sem dúvida, e sem cerimônia, o prefeito e seus assessores mais próximos fizeram o possível para “entregar” tal obra para a população, mesmo que a mesma não entre em operação, mesmo depois da festa, da placa e do corte da faixa, simbolizando que tal empreendimento passasse ao uso público.

Como esperado por muitos não vou criticar o prefeito ou sua gestão por tal “manobra” para se enquadrar na lei eleitoral. Infelizmente, esse tipo de atitude se tornou corriqueira em ano eleitoral, principalmente para os que querem, a todo custo, se manter no poder. Todos a promovem, infelizmente. Portanto, Valmir não pode ser crucificado por isso. A questão é ter inaugurado o hospital sem que o espaço possa ser usado pela população. A Assessoria de Comunicação da prefeitura divulgou nota informando as etapas de acesso aos procedimentos hospitalares. Os de maior complexidade só serão acessados pela população no final do mês de setembro, isso se o cronograma de execução da obra se mantiver, conforme o planejamento divulgado.

Valmir e seus assessores mais próximos sabem que o HGP é a obra mais importante da cidade, a que todos os parauapebenses esperavam ansiosos pela conclusão, e, consequentemente, seu funcionamento. Parauapebas, município bilionário, já merecia um hospital do porte do que foi inaugurado. Pensado em 2006 e com obras iniciadas em 2007, o hospital era um anseio dos milhares de cidadãos que moram, mas que foi se arrastando por anos. Erros primários foram cometidos em seu projeto inicial, e que fizeram o custo da obra multiplicar por nove. A previsão inicial girava em torno de nove milhões. Dez anos depois, com dezenas de aditivos, a inauguração chegou aos impressionantes 100 milhões de reais, entre estrutura física e equipamentos.

Dentro do prazo legal da justiça eleitoral, o governo Valmir Mariano entregou a obra que, aliás, foi digna de um grande vento, com alto investimento. Tudo para causar grande impacto aos moradores da “capital do minério” e alavancar a baixa popularidade do prefeito. O HGP tornou-se a “grande cartada” da atual gestão municipal para se manter competitiva pela disputa pelo Palácio do Morro dos Ventos, diminuindo o favoritismo do ex-prefeito Darci Lermen.

Outro ponto que chamou atenção na ocasião da inauguração do Hospital Geral de Parauapebas, que diga-se de passagem, será o maior da região, desbancando o do município de Marabá, que é regional, foi a ausência de diversas autoridades paraenses, entre elas a maior: governador Simão Jatene, que não compareceu ou enviou algum representante do primeiro escalão de seu governo. Essas ausências levantam diversos questionamentos. Por que na inauguração (mesmo que inacabada) de uma importante obra, a maior da região, o governo do Estado não se fez presente? 

Ainda há diversas obras a serem inauguradas pela atual gestão municipal. A partir de agora, sem a presença do prefeito Valmir, impedido pela legislação eleitoral, mas que poderão surtir impacto positivo na avaliação de sua gestão. A maior de todas foi entregue, inacabada, mas foi. Resta saber se a “bala de prata” surtirá o efeito desejado. Vamos aguardar.

Imagem: Ascom – PMP. 

Henrique Branco

Formado em Geografia, com diversas pós-graduações. Cursando Jornalismo.

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