Temer e o parlamentarismo disfarçado

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O presidente Michel Temer nunca passou de um “corpo estranho”, conforme venho afirmando desde o ano passado, neste blog. Nos próximos meses encerrará o seu ciclo poder, com o fim de seu governo, o mais impopular da história republicana recente. Sua rejeição é algo impressionante; nem o forte marketing conseguiu reverter. É um caso de ojeriza coletivo. Talvez, não se tenha presenciado tamanha indiferença da sociedade brasileira com o seu mandatário nacional, especialmente às vésperas de uma eleição presidencial. A sensação é que Temer nem parece governar o país; ou que esteja exercendo o cargo de presidente.

Seus aliados que irão concorrer nas eleições não o querem próximo. Seu governo não é defendido por ninguém. Todos preferem descolar-se de sua imagem, com receio de perder votos. Nem o próprio candidato de seu partido, (MDB), ao Palácio do Planalto, Henrique Meirelles, que foi ministro da Fazenda do atual governo, defende o atual presidente e sua gestão. O governo caminha para o seu fim, mergulhado em denúncias de corrupção de seus principais dirigentes, dentre eles o próprio presidente. Quem se atreve a advogar a favor?

Temer está esquecido, deslocado pelos próprios aliados-candidatos para que fique – nestas eleições – nos limites territoriais do Palácio do Jaburu. Isso não é recente; o processo de isolamento começou desde o início do ano, mas foi pouco notado. Com o período eleitoral, parece ser imaginável que um presidente da República esteja nesta condição, sem influenciar em nada a disputa, e tendo que ficar à distância de todos. 

Temer vem sucessivamente mantendo agenda presidencial fora do território nacional. Suas viagens ao exterior são recorrentes e estão acima da média dos anos anteriores. Em 2016, ano em que assumiu a presidência (maio do referido ano), foram realizadas seis viagens para fora do Brasil. Em 2017, uma a mais, totalizando sete deslocamentos para o exterior. Até julho de 2018, o presidente já deixou o país oito vezes e ainda tem agenda internacional a cumprir.

Parece que Temer instaurou o parlamentarismo no Brasil, sendo ele o Chefe de Estado (o que governa para fora, resumindo-se a ser uma figura diplomática). A Chefia de Governo é exercida por rodízio: Rodrigo Maia (presidente da Câmara); Eunicio Oliveira (presidente do Senado); Carmem Lúcia (presidente do STF) e por alguns ministros de Estado que parecem decidir mais do que Temer.

A sensação que o presidente não tem o comando, nem a palavra final, parece ser algo irrefutável. Se resume a ter se tornado um “corpo estranho” na Praça dos Três Poderes, isolado por seus “aliados”. Só lhe restou viajar pelo mundo, e torcer para que o ano acabe. Em 2018, o Brasil deixou de ser presidencialista. Pelas circunstâncias, temos um parlamentarismo disfarçado ou forçado, ambos consequência do impeachment.

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