Terraplanismo Institucional

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Parece surreal o que estamos vivendo no Brasil. O presidente da República estimulou publicamente manifestações em apoio ao seu governo e, além disso, os participantes de tais atos defenderam o fechamento dos poderes Legislativo e Judiciário. Ou seja, teríamos sob a visão destes apoiadores, apenas um poder. Ao ter apoiado tal desejo, Bolsonaro cometeu crime de responsabilidade, mais um de tantos outros que já promoveu desde quando assumiu o cargo mais importante do país, somando 15.

A pressão de grupos apoiadores para a derrubada de outros poderes, fomenta ainda mais o clima de instabilidade política que deságua – por inércia – na economia. A imagem do Brasil lá fora – como já dito aqui – é a pior possível. Transparece fragilidade ao ponto de ocorrer a qualquer momento rupturas institucionais, derrubando o regime democrático. Em um mundo globalizado, de relações econômicas cada vez mais entrelaçadas, tal instabilidade política só afugenta investidores, promove fuga de capitais, desvaloriza moeda e barra o crescimento econômico.

O presidente Jair Bolsonaro tornou-se o principal gerador de crises. As produz intermitentemente, com narrativas e atos que só criam instabilidade. Para os seus apoiadores, a República precisa ser reinventada, pois os seus três pilares de sustentação, são – na visão deles, terraplanistas institucionais – inúteis. Bastaria um, neste caso, o Executivo para gerenciar o país; os outros dois só atrapalham e são altamente dispensáveis. Um exercício de Terraplanismo institucional puro!

Está mais do que claro, e conforme dito aqui em diversos outros artigos, a geração de crises e polêmicas, ambas alimentam a base de apoio do governo e, de quebra, criam cortinas de fumaça, que servem para escamotear a falta de gerenciamento do país. Por isso, e por essa incapacidade gerencial, torna-se mais fácil atentar contra a ordem democrática que, segundo eles, é o responsável pelo país não conseguir evoluir.

Como método de mudança de foco, de alimentar a militância bolsonarista, que é instrumentalizada a apoiar o “terraplanismo institucional”, que de quebra só piora a visão sobre o país e piora o quadro econômico. Mas por outro lado, o Estado beligerante é a forma do bolsonarismo se manter.

O problema é que a incapacidade gerencial do presidente Jair Bolsonaro frente à pandemia do novo coronavírus no país, está fazendo ruir parte de sua base social. Panelaços e protestos em redutos de classe média e de ricos, locais em que o presidente obteve ampla maioria dos votos na eleição que venceu, demonstram claramente que há certo descolamento do apoio ao governo. E isso é preocupante. O fomento ao terraplanismo institucional têm limites, a corda que está sendo sempre esticada, pode – dependendo da tensão – romper. Tempos sombrios.

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