Todos pelo social. A lição do Chile

0
0

Recentemente abordado por este Blog, as estratégias políticas que estavam sendo montadas pelo presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM), com ampla pauta legislativa em relação à área social, e que agora fez sentido e segue uma lógica. Maia quer se colocar ao centro, apresentando-se como um moderado, mediador, uma opção ao eleitor frente a polarização que se formou entre Lula e Bolsonaro.

A estratégia do deputado do DEM é ter uma agenda social, como já tratado recentemente aqui. O governo percebeu tal ação, e agora – conforme anunciado pelo Estadão – já trabalha para lançar um amplo programa social. Em ambos os casos, governo e Maia, se houver ações na citada área, avançarão sobre o tecido eleitoral importante do PT e de Lula.

As manifestações populares nos países vizinhos, demonstram que, por mais que um governo seja de centro-direita ou até de extrema-direita, há de se investir ou ter ações para o social, afim de evitar um levante, como vem ocorrendo. Bolsonaro parece ter entendido o recado, e cobra de sua equipe ações na área.

Os adversários sabem que, ao investirem em programas sociais, adentram em uma zona que o PT se coloca como dono, que detém o controle e de lá tira os seus dividendos político-eleitoral. O governo Bolsonaro aos mais necessitados, parece fazer um jogo de dá e tira, neste caso, muito mais tirando do que concedendo, e assim vai controlando a insatisfação e pressão, regulando-as.

A lógica política vai se colocando à mesa, e ela tem como base de atuação “todos pelo social à sua maneira”. Até um governo de posição neoliberal precisa ter agenda social, mesmo que, por direcionamento ideológico, esta seja mínima, mas precisa ter. O caso do Chile é o mais emblemático. Antes um exemplo no continente em relação às políticas de austeridade, do Estado mínimo; hoje, um país tomado por manifestações. O receituário neoliberal no caso chileno será revisto, com mudanças até na constituição. Ao Brasil o recado foi dado, e os governantes, sobretudo os que irão disputar a próxima corrida presidencial, entenderam. Todos pelo social. Tem método.

Deixe uma resposta