Um ano depois, Marielle vive!

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Passava das 21h30m de uma quarta-feira, 14 de março, bairro do Estácio, Rio de Janeiro. Um Cobalt prata corta e encosta ao lado de um Ágile branco, dentro dele estão três pessoas: Anderson Costa, Marielle Franco e Fernanda (sobrenome é mantido em sigilo pela Polícia, haja vista, que foi a única sobrevivente no caso). Contra o carro branco foram disparados 13 tiros, nove atingiram a lataria e quatro os vidros. Lá dentro um alvo claro: a vereadora do PSOL, Marielle Franco. Estava consumado mais um assassinato por encomenda. 

Estranhamente, duas horas depois da execução, a vereadora virou alvo nas redes sociais de uma volumosa campanha de difamação à sua imagem. As manifestações se misturavam entre os pesares pelo ocorrido e ataques à honra. Havia uma estratégia em curso de desmerecer o seu trabalho, diminuir a repercussão de sua morte. A quem interessava orquestrar tal atitude? Sem dúvida, e pelas características, o assassinato foi político. Restava saber- naquele momento – quem mandou matar e quem matou?

Por quase um ano, as indagações acima ecoaram por todo o país e partes do mundo. Caminhando para completar um ano sem respostas, com a pressão sobre as autoridades policiais para uma resposta ao caso, no último dia 12, um policial e um ex-policial militar foram presos, acusados de serem os assassinos de Marielle e Anderson. Ronnie Lessa (PM reformado) é acusado de ter feito os disparos e o ex-militar Élcio Vieira de Queiroz. O que chamou atenção foi que, Lessa mora no mesmo condomínio do presidente Jair Bolsonaro, na Barra da Tijuca. O fato pode se resumir a uma coincidência? Pode. A questão agora é saber – caso confirme realmente que os dois citados são os assassinos – quem os mandou matar Marielle Franco? 

Apesar da demora de quase um ano em apresentar os responsáveis (pelo menos quem executou a ação), diversas evidências apontavam para qual lado partiu a ordem de execução, ou, pelo menos, a quem interessava diretamente a morte de Marielle. Dias depois do assassinato, a perícia constatou que, as cápsulas recolhidas no local pertenciam a um lote vendido à Polícia Federal, fato confirmado pela Polícia Civil. Nesse momento a linha de investigação se voltou contra o próprio Estado, no mínimo, em sua estrutura paralela, neste caso as milícias. 

Sua atuação parlamentar em denunciar má-condutas de policiais e as ações de milícias, a expôs, da mesma forma que lhe deu notoriedade, respeito e admiração. Marielle Franco tornou-se um ícone na luta pelos Direitos Humanos no Brasil. Hoje, um ano de sua morte, ainda sem a principal resposta: quem encomendou a sua morte? Inúmeras manifestações tomarão as ruas do país. O conjunto de protestos intitulado “Amanhecer por Marielle e Anderson” deve acontecer em mais de 20 pontos do Rio de Janeiro, em outros estados e em cidades da América do Sul, Estados Unidos, Canadá, Austrália e Europa. 

Marielle, vive!

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