Um ano do 7 a 1. O placar foi um detalhe, o pior continua fora de campo

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Algumas vezes escrevi sobre futebol. Confesso que já gostei
bem mais do esporte mais popular do mundo do que hoje em dia. Quando comecei a
escrever no blog sobre o referido tema, ensaiei alguns textos que foram
publicados esporadicamente. Parecia que caminhava para ser um cronista
esportivo, que escreveria sobre o “mundo da bola”. Percebi logo que não teria o
“jeito” para descarregar minhas reflexões sobre futebol, pelo simples fato de
nunca ter sido um bom jogador, nem nas “peladas” do domingo me salvava.
Escrever sobre política foi a alternativa e assim venho mantendo minhas
análises. Escrever sobre futebol é algo inusitado, repentes de quem analisa o
cotidiano ou fatos relevantes.
Há exatos um ano, 365 dias, a seleção brasileira perdia por
7×1 para a Alemanha, pela Copa do Mundo de 2014, a segunda realizada em solo
brasileiro. Estava sacramentado o maior vexame da história da maior seleção de
futebol do mundo. O drama de 1950, quando em casa, a seleção “canarinha” perdia
a Copa (o que seria o primeiro título mundial brasileiro) para o Uruguai, na
final, diante de 150 mil torcedores em pleno Maracanã lotado, parecia que seria
superado em 2014. Puro engano, 1950 tornou-se um fato irrelevante em comparação
com o ocorrido no ano passado.
O placar elástico conseguido pela Alemanha contra o Brasil,
em 2014, ainda é muito citado e assim deverá continuar por muito tempo. Quais
as lições do 7×1? Para que serviu? O que nos ensinou? O que podemos tirar de
pontos positivos do ocorrido? Geralmente esses casos de vexame acontecem e
servem para verdadeiras reviravoltas e mudanças do status quo. Esperava-se isso
na seleção, na CBF e de forma geral no futebol brasileiro.
Um ano depois, nada mudou. Pelo contrário: piorou. O 7×1 não
serviu para mudar nada. Apenas sacramentou o baixo nível de organização que
chegamos no Brasil e o futebol que jogamos hoje. Ser o melhor do mundo é
passado. O placar é o de menos, o resultado em campo não é o maior dos males,
mas sim, a forma como o futebol brasileiro é conduzido, gerido, é o maior
entrave e responsável.
A miopia de muitos não os permitem enxergar além do
resultado dentro de campo, das quatro linhas, do tempo de jogo. Alguns ainda
podem dizer que o ocorrido foi algo inusitado, que nunca mais voltará a
ocorrer. Será? Se poderia pensar que a elasticidade do placar foi simplesmente
um dia mágico para os jogadores alemães, que jogaram a melhor partida da vida
deles e os brasileiros, o contrário, a pior.
Os fatos que ocorreram nos meses seguintes demonstram que
não! Deixamos de ser o melhor futebol do mundo, ter a melhor seleção. A
desorganização do futebol brasileiro, a forma como a CBF administra a seleção e
a gerencia da Globo, foram os ingredientes que levaram ao fundo do poço a única
seleção pentacampeã do mundo. Não se prática futebol no Brasil em nível de
profissionalismo que o resto do mundo começou a ter. Isso aos poucos foi se refletindo
na seleção, o fim do processo. Sem a base bem construída, o resto se perde como
consequência lógica deste mesmo processo.

365 dias se passaram e nada mudou. A forma como a CBF
administra a seleção continua a mesma. A Globo continua mandando e tendo
monopólio da seleção e a organização do futebol organizado no Brasil, continua no
mesmo formato. Pelo visto, o vergonhoso 7×1 foi apenas um detalhe, o menor dos
males. O pior está fora de campo e sem perspectiva de mudança. Pelo menos a
curto e talvez, médio prazo. O que nos resta é a lembrança de quando, realmente
ensinávamos e encantávamos o mundo com a habilidade e o trato com a bola. Hoje,
assistimos com nostalgia como se joga futebol, que um dia, fomos mestres nessa
“arte”.

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