Um ninho em frangalhos

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Após as eleições de 2018, ficou claro que o PSDB paraense precisaria passar por um processo de reorganização interna. O citado processo eleitoral, com a escolha de um nome de fora do partido para disputar o governo do Pará, foi um fato que desagregou muito a legenda. Após o resultado eleitoral, chegava ao fim uma dinastia de 20 anos de gestões do PSDB, dezesseis deles de forma ininterrupta.

No juntar dos cacos, o partido conseguiu eleger quatro deputados estaduais. Uma bancada de importância sob o ponto de vista numérico. Junto com o DEM e PPS (hoje Cidadania) poderia se construir naquele momento, uma bancada de oposição ao governador Helder Barbalho. Conforme analisado pelo Blog em outro artigo logo após o início dos trabalhos legislativos, estava claro que a oposição na Assembleia Legislativa seria mínima, e que o governo teria o “controle” daquela Casa de Leis.

Em quase dois anos, o PSDB não conseguiu se ajustar. Pelo contrário, sua divisão interna parece maior. Nem mesmo o habilidoso politicamente deputado federal Nilson Pinto, que assumiu o controle da legenda no âmbito estadual, conseguiu unir o partido. A desunião é tamanha que, o prefeito de Belém Zenaldo Coutinho, não escolheu um nome tucano para a sua sucessão. Como dito aqui, o deputado estadual Thiago Araújo (Cidadania) foi o escolhido, o que gerou ainda mais conflito. O deputado federal Celso Sabino era um nome que havia se colocado à disposição para concorrer ao Palácio Antônio Lemos, porém, logo viu crescer a resistência contra si. Ele a cada dia se distância do ninho tucano, sendo acusado por seus correligionários de ser hoje o tucano mais próximo dos Barbalho. E olha que não é o único.

Ontem, 01, as contas referentes ao ano de 2018 do ex-governador Simão Jatene foram rejeitadas pela Assembleia Legislativa. O placar foi elástico: 34 a 6. O fato que mais chamou atenção (já que o resultado já era esperado) foi que nenhum dos quatro deputados estaduais do PSDB (Victor Dias, Luth Rebelo, Cilene Couto e Ana Cunha), se manifestaram publicamente na defesa do ex-governador. Ou seja, votaram contra o partido e contra uma gestão que há pouco tempo defendiam. Mais uma clara evidência que o PSDB segue totalmente desunido.

Hoje, o partido em questão, ainda é a segunda legenda em números de prefeituras no Pará (32), atrás apenas do MDB (42). O partido gerencia atualmente os dois maiores colégios eleitorais do Pará (Belém e Ananindeua), mas corre serio risco de perdê-los, em 2020. O desgaste dos tucanos no Pará é grande. O PSDB poderá passar pelo mesmo processo ocorrido no PT, em 2016, em que os petistas viram o partido desidratar eleitoralmente. Hoje, por exemplo, no Pará, o PT só governa em sete municípios. Já chegou a ter 29 prefeituras na época que a legenda estava no Governo do Pará.

A desunião deverá continuar no ninho tucano. É cada um por si. A bancada do partido na Alepa demostrou isso. Não haverá unidade. Ninguém conseguirá unir a legenda para a disputa eleitoral que se aproxima. Política são ciclos, o do PSDB parece ter acabado. Quem mandou e desmandou politicamente por duas décadas, agora caminha para a desidratação política. Melhor para o MDB e aliados que deverão diminuir ainda mais o PSDB nessas eleições. A ver.

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