Um vice importante

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No início de novembro de 2017, escrevi no blog sobre o vice-governador do Pará, Zequinha Marinho (PSC). Na referida ocasião, afirmei que mesmo não sendo o principal ator político no processo de sucessão de Simão Jatene, haja vista, que não foi o escolhido pelo governador, Marinho, possui importância fundamental na disputa pelo Palácio dos Despachos.

Para que as pretensões e estratégias políticas de Jatene com seus aliados possam tenham êxito, dependem da conformidade de Marinho. A questão é simples: Jatene deverá se desincompatibilizar do cargo de governador em abril, dentro do prazo da Justiça Eleitoral, e deseja que seu vice também deixe o cargo. Mas como se sabe, Zequinha não fará esse “favor”. E ainda afirmou em entrevista recente ao jornal Diário do Pará, da família Barbalho, que não deixará o cargo.

Se Zequinha cumprir o que vem falando, a disputa eleitoral deverá ter outros contornos e uma base governista fragmentada, o que seria péssimo para a manutenção do atual grupo político no poder. Por outro lado, o manual político ensina que decisões pessoais ou suas confirmações devem seguir diversas etapas, tendo a sua culminância na hora certa. Zequinha prefere deixar a de escolha pessoal indefinido, medida para se manter no centro e valorizando ao “máximo” o seu passe. Assim, Jatene terá que dividir com ele o protagonismo do processo.

Simão terá um grande desafio pela frente: construir acordos que possam contemplar diversos interesses, dentre eles o seu próprio: o de ser senador. E por tabela manter o seu grupo no comando da política estadual paraense. Mas convencer o seu vice, Zequinha Marinho, a abrir mão dessa possibilidade de ser governador temporário e ter a poderosa máquina estadual a sua disposição não será nada fácil.

O distanciamento de Jatene e Zequinha é notório. Por outro lado, o vice-governador vem mostrando rápida proximidade com os Barbalho. Diversos eventos já foram realizados com a presença de Marinho ao lado de Helder e o clã do MDB paraense. Essa proximidade levantou diversas especulações sobre o seu destino político. Estava organizando progressivamente a sua ida para o lado de Helder?

Essa questão foi muito debatida no fim de semana que passou em Belém, tomando grandes proporções nas redes sociais. A assessoria de comunicação do vice-governador foi a rede social Facebook desmentir os boatos. De certo mesmo é que Zequinha não estará ao lado de Márcio Miranda na campanha. O apoio a Helder é uma tendência. Com a possibilidade de Jáder não concorrer à reeleição ao Senado, abre-se uma vaga a mais, portanto, poderia ser oferecida a Marinho, para trazer o apoio de sua base eleitoral e a igreja que dirige, colocando ainda na conta apoio à reeleição de sua esposa, Júlia Marinho a Câmara Federal.

Zequinha já percebeu que a sua indefinição e por hora e outro algum pronunciamento sobre o processo eleitoral lhe rende holofotes e a construção de bons acordos. Nunca um vice-governador esteve tanta importância em uma disputa eleitoral pelo governo do Pará.

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