Vale a pena ler de novo: “Em nome de ‘Deus’ e da ‘família’, impeachment vai ao Senado”

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Hoje (17) completa-se um ano da histórica (do ponto de vista negativo) sessão na Câmara dos Deputados que deu início ao processo de impeachment de Dilma Rousseff. À época o blog abordou a questão. Passado esse tempo, trago à pauta do debate a análise feita há 365 dias. Vale a pena ler novamente e comparar com o presente. Não foi por falta de aviso. Com a democracia não se brinca. Muitos dos parlamentares que votaram favoravelmente ao afastamento de Dilma, com discurso ético, hoje estão sendo acusados de receberem recursos financeiros ilícitos, e outros até estão presos. Valeu a pena? Boa leitura…

Depois de pouco mais de 10 horas de duração, a sessão que deliberou sobre a admissibilidade do impedimento da presidente Dilma Rousseff (PT) foi aprovada. No placar os que votaram pelo afastamento somou 367 votos, com 137 contra, além de sete abstenções e duas ausências. O resultado foi muito abaixo do esperado pelos articulistas do governo, o que demonstrou que a recompactuação da base do Palácio do Planalto não funcionou, em mais um erro da sofrida articulação política do governo.

Dilma Rousseff agora segue o rito oficial do processo. Estará em até 24 dias afastada do cargo, podendo ficar por até 180 dias, período que o Senado Federal decidirá o seu futuro. Se for aprovado o impeachment, Dilma deixa de ser afastada temporariamente, para ter o seu impedimento em definitivo. Michel Temer, portanto, governará até 2018. Além do processo já descrito, o que chamou atenção foram as posturas, falas, discursos e nível de conhecimento dos parlamentares. A grande maioria na hora de proferir o voto favorável ou não, demonstrou todo e qualquer compromisso com o objeto central do pedido: as chamadas “pedaladas fiscais”. Em suas falas os nobres parlamentares em sua maioria, louvaram a Deus, agradeceram suas famílias, amigos, contaram suas trajetórias, leram versos, poemas, cantaram…

O que se percebeu foi em sua maioria a falta de conhecimento ou puro descaso dos parlamentares para com o importante momento da história política brasileira. Pareciam muito mais preocupados com suas respectivas imagens ou falas do que com as consequências ao país, independente do resultado.

A sessão que decidiu pela admissibilidade do processo de impeachment da presidenta Dilma Rousseff escancarou o perfil da maioria do parlamento federal brasileiro. As urnas em 2014 elegeram o Congresso Nacional mais reacionário e conservador das últimas décadas no Brasil, pelo menos desde 1964 não era assim. Se alguém tinha dúvida sobre qual regime político seguir ou se o parlamentarismo seria uma alternativa para a política brasileira, a sessão de hoje (17/04/2016), deixa claro que não. Colocar nas mãos de um Congresso com esse perfil o futuro do país seria trágico e até perigoso ao regime democrático. O que esperar a partir de agora? Os discursos messiânicos na tribuna irão se concretizar? Ou serviram apenas para justificar votos indo de encontro ao bom senso ou ao interesse do país?

As chances de a presidente Dilma Rousseff ser impedida de vez, após o Senado votar o processo são grandes. Creio que os senadores não deverão criar atrito institucional com a Câmara, sendo assim votariam favoráveis ao impedimento em definitivo de Dilma Rousseff.

Independentemente do resultado do processo de impeachment sabe-se que o país precisa vencer essa etapa e buscar o fim – ou pelo menos – a diminuição para patamares administráveis da crise política. A paralisia está afundando economicamente a economia brasileira. Sem um grande pacto das principais forças políticas não há como retomar a agenda desenvolvimentista do país, independente de quem esteja na Presidência. Pelo visto, ainda haverá diversos desdobramentos desta crise política-institucional. Pior para o Brasil.

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