Vale aposta em mineração circular para produzir minério de ferro a partir de rejeitos

A Vale anunciou, nesta sexta-feira (10), um novo avanço em sua estratégia de sustentabilidade com a implantação de um projeto de mineração circular na mina de Gongo Soco, localizada em Barão de Cocais (MG). A iniciativa prevê o reaproveitamento de rejeitos de uma operação paralisada desde 2016, com potencial de produzir cerca de 2 milhões de toneladas de minério de ferro por ano.

O projeto integra o programa Waste to Value, voltado à transformação de rejeitos e estéreis em novos produtos, reduzindo resíduos e ampliando a eficiência no uso de recursos minerais. A ação reforça o protagonismo de Minas Gerais como polo de mineração circular no país.

Produção circular cresce mais de 100%

A estratégia já apresenta resultados relevantes. Em 2025, a Vale mais que dobrou sua produção de minério de fontes circulares, atingindo 26,3 milhões de toneladas — um crescimento de 107% em relação ao ano anterior. Aproximadamente 80% desse volume foi produzido em Minas Gerais.

O novo projeto em Gongo Soco será responsável por ampliar ainda mais esse desempenho. A usina em implantação utilizará rejeitos provenientes da descaracterização da barragem Sul Superior e de duas pilhas da unidade.

Segundo Juliana Cota, diretora de Minas Paralisadas do Corredor Sudeste da empresa, a iniciativa foi concebida para operar de forma integrada às obras de segurança da barragem. A tecnologia adotada será a concentração magnética, que permite maior recuperação do minério de ferro presente nos rejeitos.

Tecnologia e menor impacto ambiental

A planta será instalada na área da antiga usina de Gongo Soco, priorizando a movimentação interna de materiais e reduzindo impactos logísticos. O escoamento da produção será feito por meio da Estrada de Ferro Vitória a Minas.

De acordo com o engenheiro responsável pelo projeto, Luis Gustavo Silva, a estrutura foi planejada com engenharia modular, o que deve garantir uma obra mais rápida, econômica e com menor emissão de gases de efeito estufa. Além disso, o processo de beneficiamento será mais compacto, ocupando menos área. A construção da usina deve durar cerca de 19 meses, com início das operações previsto para o próximo ano, condicionado ao cumprimento das exigências de licenciamento ambiental.

Minas Gerais como referência em mineração sustentável

O estado já se destaca como referência na estratégia de mineração circular da Vale. Outras operações no estado, como as minas de Capanema e Vargem Grande, também utilizam rejeitos para produção de minério de ferro. Além disso, a companhia desenvolve coprodutos sustentáveis, como a Areia Sustentável e blocos para construção civil produzidos a partir de resíduos da mineração.

Meta é chegar a 10% da produção até 2030

A Vale projeta que, até 2030, cerca de 10% de sua produção anual de minério de ferro seja proveniente de fontes circulares. A meta reforça o compromisso da empresa com práticas mais sustentáveis e com a redução dos impactos ambientais da atividade mineral. Com o avanço de iniciativas como a de Gongo Soco, a companhia busca consolidar um modelo de mineração mais eficiente, seguro e alinhado às demandas globais por sustentabilidade.

Com informações Revista Mineração 

Imagem: reprodução 

Henrique Branco

Formado em Geografia, com diversas pós-graduações. Cursando Jornalismo.

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