Ontem, 26, a companhia confirmou que um reservatório de água da Mina de Fábrica, em Ouro Preto, transbordou no domingo (25). Agora, um novo extravasamento foi constatado na mina Viga, em Congonhas (MG). Os incidentes ocorreram após fortes chuvas atingirem a região e não deixaram feridos. As comunidades próximas não foram afetadas, segundo a empresa. Contudo, as autoridades locais monitoram os impactos ambientais e já falam em punições para a Vale.
A ANM (Agência Nacional de Mineração) também vistoria o local das ocorrências, com foco nas condições de funcionamento das estruturas e nas medidas adotadas pela mineradora. A Vale garantiu, por sua vez, que os extravasamentos de água já foram contidos e disse que “não houve carreamento de rejeitos de mineração, apenas água com sedimentos (terra)”.
“As causas dos dois extravasamentos estão sendo apuradas e os aprendizados extraídos serão imediatamente incorporados aos planos de chuva da companhia”, acrescentou.
A Vale disse que “realiza periodicamente ações preventivas de inspeção e manutenção de suas estruturas” e “reforça esses procedimentos durante o intenso período chuvoso”.
Mina Viga
Segundo a prefeitura de Congonhas, a água armazenada na estrutura de drenagem da mina Viga transbordou no domingo (25), alcançando o rio Maranhão. A prefeitura está avaliando os impactos ambientais e as providências cabíveis, mas ressaltou que nenhuma comunidade foi atingida e que o incidente não provocou bloqueio de vias.
Mina de Fábrica
Algumas horas antes, um extravasamento de água com sedimentos também havia sido registrado em uma cava da mina de Fábrica. A prefeitura de Congonhas informou que cerca de 263 mil metros cúbicos de água turva escaparam da estrutura da Vale. O material inundou áreas da CSN Mineração (CMIN3) e ainda teria atingido o rio Goiabeiras. O prefeito da cidade, Anderson Cabido, disse que o risco de dano ambiental era “muito grande”.
A prefeitura monitora as implicações do transbordamento e diz que vai tomar providências em relação ao ocorrido, o que pode implicar em multas e exigências mais rígidas de monitoramento da área pela Vale. Segundo a ANM, o evento esteve associado a infraestrutura instalada em área da operação. Ainda assim, a Vale disse que suas projeções seguem inalteradas.
Barragens estão preservadas
Os transbordamentos ocorreram no dia em que completaram sete anos do rompimento da barragem de Brumadinho, em Minas Gerais. A Vale ressaltou, então, que “nenhuma das duas situações tem qualquer relação com as barragens da Vale na região, que seguem sem alterações nas suas condições de estabilidade e segurança e são monitoradas 24 horas por dia, 7 dias por semana”.
A ANM confirmou que “não houve ruptura, colapso ou comprometimento de estruturas de barragens ou pilhas de mineração”.
Por Marina Barbosa (Investidor 10)
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