Vitória de Pirro

Hoje (01) deverão ser eleitos presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, Arthur Lira (PP-AL) e Rodrigo Pacheco (DEM-MG), respectivamente. Ambos com apoio do presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

Em mais uma bravata dita em campanha, Bolsonaro autorizou o seu governo a repassar o montante de R$ 3 bilhões de reais para 250 deputados e 35 senadores aplicarem em obras em seus redutos eleitorais. O dinheiro saiu do Ministério do Desenvolvimento Regional. Portanto, sem cerimônias, o governo foi às compras para manter total controle sobre o Congresso Nacional.

Até o fim da produção deste artigo, 62 processos de impeachment do presidente Jair Bolsonaro já haviam sido protocolados na Câmara. Maia nunca cogitou a possibilidade de aceitar qualquer um deles. Sempre justificou que o momento (usando a pandemia como pano de fundo) não era oportuno para isso. Na verdade, nunca houve condições políticas para que o processo avançasse e fosse, conforme o rito processual, ao Senado para ser julgado. Maia nunca conseguiu chegar perto dos 342 deputados favoráveis.

Se Lira vencer (o que deve ocorrer), a situação de Bolsonaro com relação ao impeachment, por ora, fica apaziguado. Todavia, o parlamentar do PP é líder do Centrão, o que poderá mais à frente, tornar o mandatário nacional refém deste amplo grupo parlamentar. Lira é da “escola” de Eduardo Cunha, portanto, altamente fisiologista.

A aparente vitória de Bolsonaro em eleger Lira como presidente da Câmara, poderá ser uma vitória de Pirro, que é uma expressão consagrada pela história militar, mas que se aplica a todos os momentos importantes da vida social, esportiva e política. Ela é utilizada como tradução de vitória obtida à custa de danos e prejuízos irreparáveis.

A expressão tem o nome do Rei Pirro, de Épiro, cujo exército, após sofrer grandes perdas ao derrotar os romanos na Batalha de Heracleia, em 280 a.C., foi novamente vitorioso na Batalha de Ásculo (ou Asculum), em 279 a.C. praticamente perdendo o restante das tropas.

Com Lira presidindo a Casa, o “passe” do Centrão aumenta. O que poderá forçar o governo a criar mais espaços, ou seja, recriando novos ministérios, indo novamente de encontro a promessas feitas em campanha.

A morte política de Maia

Apesar da votação ser secreta, Arthur Lira deverá ser eleito em primeiro turno. Seu principal adversário, Baleia Rossi (MDB-SP), candidato da frente ampla montada por Rodrigo Maia, não deverá ameaçar o candidato governista. Ontem (31), o DEM, partido de Maia, declarou neutralidade na disputa, ou seja, deixaria de apoiar Rossi. Espera-se que 2/3 dos deputados da legenda votem em Lira. Outra legenda que deve desfazer acordo firmado com Maia será o PSDB.

Maia ficará isolado politicamente, além de ter a sua manutenção insustentável nos quadros do Democrata. Cogita-se que caso ocorra essa vitória acachapante do candidato do Planalto, Maia deverá desembarcar de Brasília. Há a possibilidade que pouse no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo de São Paulo, assumindo a chefia de gabinete de João Dória.

Os Bolsonaristas estão empolgados com a vitória de Lira. Deveriam, antes de mais nada, saber bem sobre quem tanto elogiam. Arthur Lira assumirá a cadeira de presidente da Câmara com 62 pedidos de impeachment de Jair Bolsonaro em sua gaveta. Deverá cobrar alto preço para jogar a chave fora. Bolsonaro não venceu. Tornou-se refém do Centrão.

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