Vultos começam a rodear o Palácio Antônio Lemos

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No último fim de semana, o jornalista Marcelo Marques, “O Bacana”, divulgou em seu site, texto sobre a disputa pela Prefeitura de Belém. Ainda há um espaçamento temporal, mas após a acomodação das forças políticas da última eleição, naturalmente iniciarão um novo ciclo e com ele as disputas pela cadeira de mandatário municipal da capital paraense.

Conforme apontado pelo “Bacana” em seu texto – como esperado – há diversos pré-candidatos. Praticamente cada partido ventila um nome, buscando manter-se em evidência e, quem sabe, negociar mais a frente, quando o processo começar a pegar “forma”. Este blog já tratou da questão no fim do ano passado, analisando as primeiras movimentações.

Em conformidade com o que foi dito, o governador Helder Barbalho definiu como uma de suas maiores estratégias políticas, ter o futuro prefeito de Belém como aliado, e o eleito de preferência seja de seu grupo político. Hoje, no governo do Estado, há três nomes no secretariado que podem concorrer: Jarbas Vasconcelos (PV) – Secretaria do Sistema Penitenciário do Pará; Ursula Vidal (sem partido) – Secretaria de Cultura, e que já disputou a última eleição a prefeitura de Belém, em 2016, chegando em quarto lugar, com 79,968 votos (10,29%) dos votos válidos. Votação que surpreendeu pela estrutura dispensada de seu partido em comparação aos outros adversários. E, por último, Carlos Maneschy – Secretaria de Ciência e Tecnologia. Ele foi ex-reitor da UFPA, e assim como Vidal, concorreu à Prefeitura, ficando em quinto lugar, com pouco mais de 75 mil votos. Na ocasião, Maneschy concorreu pelo PMDB, hoje MDB, sendo lançado com o aval dos Barbalho.

Portanto, dentro de seu secretariado, Helder tem pelo menos três nomes fortes e que tornam-se favoritos com o impulso da máquina do Estado. Do lado do ninho tucano (fragilizado e com forte tendência de ruptura e formação de grupos) tem o prefeito Zenaldo Coutinho, que analisa o cenário. O presidente da Câmara de Vereadores, Mauro Freitas é um nome cogitado e que vem sendo (talvez como tática de sobrevivência política) um frenético defensor do mandatário municipal. No ninho tucano ainda há nomes como de Izabela Jatene, Celso Sabino (hoje o tucano em maior nível de ascensão no Pará) e o próprio ex-governador Simão.

A situação do PSDB é complicada. A impopularidade de Zenaldo chegou a níveis críticos. Há um consenso geral pela cidade que ele conseguiu um feito inédito e inesperado: ser pior gestor do que o seu antecessor, Duciomar Costa. Portanto, independente do uso da máquina municipal (e ela será importante, como a do Estado), a péssima imagem política de Zenaldo será um grande obstáculo ao próprio PSDB. Não, por acaso que Jatene foi buscar o seu candidato fora do ninho tucano.

Ainda há outros nomes orbitando o Palácio Antônio Lemos, como de vereadores e deputados. Pelo campo da Esquerda, o deputado federal Edmilson Rodrigues (Psol), que já foi prefeito de Belém por dois mandatos, seria o nome mais forte. E o PT, se preparando para mais um vergonhoso desempenho nas urnas, a exemplo das duas últimas eleições?

Mas a disputa deverá ser guiada pelo embate entre as duas máquinas: a municipal e estadual. Pelas circunstâncias políticas, me arrisco a afirmar que o novo prefeito de Belém será um nome balizado pelo governador, que terá que construir uma engenharia político-eleitoral para que, se o indicado sair de dentro de seu governo, isso não o traga problemas internos. Como dito pelo blog, Helder após conseguir ser eleito governador, colocará em prática a segunda fase de sua estratégia: a conquista do maior quantitativo de prefeituras pelo Pará, em 2020. E Belém é prioridade. Do outro lado da linha divisória com a capital, o governador já “levou” em Ananindeua. Resta o Palácio Antônio Lemos.

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