A possível nova cartada política do clã Barbalho?

A primeira-dama do Estado do Pará, Daniela Barbalho, vem chamando atenção ultimamente por sua intensa agenda pelo interior. Anteriormente, suas aparições públicas eram quase sempre por ocasião de acompanhar o seu esposo, o governador Helder Barbalho (MDB), todavia, agora, Daniela parece ter se descolado do mandatário estadual e passou a apresentar agenda própria.

Sua atuação abrange diversas áreas do governo estadual, desde inauguração de escolas, hospitais, programas sociais, canteiros de obras, como os das Usinas da Paz, e por ai vai. Qual objetivo desse aumento da exposição da imagem da primeira-dama? Em política, ações são sinais muitas das vezes bem claros. Daniela Barbalho poderá se lançar candidata ao parlamento estadual? Federal? Ou a sua intensa agenda não teria pretensão política? Essa possibilidade é muito fora do comum. Se ela pretende ser candidata, não há nada de errado.

Essa situação não é nova dentro do clã Barbalho. Jader Barbalho, pai de Helder, foi governador do Pará por dois mandatos, tendo Elcione Barbalho, mãe de Helder, como primeira-dama (1983-1987) e (1991-1994). A ex-primeira-dama do Pará foi muito ativa nos governos do ex-marido, em especial na segunda passagem de Jader pelo Executivo estadual. A atuação de Elcione lhe garantiu a vitória quando concorreu a deputada federal, pela primeira vez, em 1994. Ela já soma seis mandatos em Brasília.

Portanto, não seria leviano apontar que Daniela Barbalho está seguindo o mesmo caminho de sua sogra. Sua grande exposição, agora sem o marido ao lado, deixa claro que há em curso uma tática politica-eleitoral. O clã Barbalho precisa abrir novas frentes. A primeira geração, neste caso, Jader e Elcione, em breve, ambos, deverão encerrar suas vidas públicas.

Todavia, a Constituição Federal em seu artigo 14, parágrafo sétimo diz: “São inelegíveis, no território de jurisdição do titular, o cônjuge e os parentes consangüíneos ou afins, até o segundo grau ou por adoção, do Presidente da República, de Governador de Estado ou Território, do Distrito Federal, de Prefeito ou de quem os haja substituído dentro dos seis meses anteriores ao pleito, salvo se já titular de mandato eletivo e candidato à reeleição”.

Como já adiantado pelo Blog do Branco desde 2019, a estratégia política de Helder Barbalho é bem clara: ser governador por dois mandatos, se desincompatibilizar no último ano para poder concorrer ao Senado Federal, possivelmente na vaga de seu pai, em 2026. Assim, Daniela Barbalho poderia concorrer – quem sabe – ao cargo que a sua sogra hoje ocupa. Portanto, a estratégia é criar nos próximos anos musculatura política na primeira-dama, para quem sabe, em 2026, concorrer.

Helder – como já dito aqui em outro artigo – possui pretensões para além do cargo que atualmente ocupa. Portanto, precisa preparar espaços que poderá deixar de ocupar. Como dizia o saudoso Gérson Peres, o homem que imortalizou a expressão “No Pará só ainda não vi boi voar”, tal frase não deixa de ser muito casual em nossa política. A ver.

Imagem: Alex Ribeiro – Agência Pará.

Henrique Branco

Formado em Geografia, com diversas pós-graduações. Cursando Jornalismo.

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