A reforma da Previdência fez o Governo Bolsonaro descer ao mundo real

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O discurso, a narrativa de Jair Bolsonaro de promover uma nova política, uma nova era, uma nova forma de fazer política em Brasília, durou pouco mais de dois meses. O Congresso Nacional iniciou os seus trabalhos no início de fevereiro, e no caso da Câmara dos Deputados a renovação chegou a 47,37% do total da Casa. Em números proporcionais, é a maior renovação desde a eleição da Assembleia Constituinte, em 1986. Foram eleitos 243 deputados “novos” (de primeiro mandato).

A mudança no perfil da Câmara, com número elevado de “novatos” requer um grande articulador, uma grande articulação, exatamente o que falta ao governo Bolsonaro. O sinal foi dado no dia 19 de fevereiro, quando os deputados derrubaram o decreto que alterou as regras da Lei de Acesso à Informação, projeto que o governo contava com a sua aprovação. Ou o governo se articulava minimamente, ou a reforma da Previdência pode não ser aprovada.

Apesar de o presidente ter vivido por 28 anos ininterruptos no parlamento, promoveu uma narrativa (com forte viés eleitoral, sobre uma nova forma de fazer política) e que ele mesmo sabia que não conseguiria cumprir. Conforme cobrado pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia, cabe ao presidente conduzir, liderar o levante em defesa da reforma, o que até o momento não aconteceu.

A reforma da Previdência apresentou ao governo o mundo real. Ou seja, sem negociar cargos e liberar emendas, nada avançará. Já no mundo real, o governo liberou o pagamento de 1 bilhão de reais em emendas parlamentares, disse o líder do governo na Câmara, Major Vitor Hugo (PSL-GO), no que foi visto como um agrado a deputados que vão analisar em breve o projeto de reforma da Previdência.

Demorou, mas o governo desembarcou no mundo real. Não existe uma nova política, sem qualquer alteração em sua estrutura. O resto é narrativa sem fundamento.

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