Alerta: Parauapebas e a Teoria da Maldição dos Recursos Naturais

Não é de hoje que este veículo de comunicação trata da questão do futuro da atividade mineraria em Parauapebas. Sabe-se que o seu futuro é cada vez mais incerto, por conta do aumento cada vez maior da produção, o que torna cada vez menor o tempo de exploração das minas. O processo é inversamente proporcional.

A Serra Norte, corpo minério em que os limites territoriais de Parauapebas estão inseridos, ainda terão – segundo relatórios produzidos pela própria mineradora Vale – duas décadas e meia de “vida”. Depois não há o que se tirar delas.

O economista Richard Auty teorizou sobre as economias que são dependentes quase que, exclusivamente, de um único recurso finito, com data para acabar, quase sempre, bem antes do planejado. Por isso, lançou a teoria mundialmente conhecida como: “A maldição dos Recursos Naturais”. Tal estudo é sustentado no paradoxo da abundância de recursos não renováveis e o mal que eles causam à cadeia econômica de uma determinada região.

Auty, afirma que, a supremacia e dependência de um único recurso causam: declínio de outras atividades econômicas e tornar a receita de arrecadação volátil, muito instável. Ou seja, os governos (neste caso o município de Parauapebas) sempre terá uma indefinição orçamentária, podendo acarretar, por exemplo, risco de não conseguir cumprir compromissos. Se a compra do produto entrar em declínio, como o minério de ferro, que pode ter a diminuição da sua compra no mercado internacional, as arrecadações despencam. Isso acontece ciclicamente em Parauapebas, como está ocorrendo para a nossa infelicidade.

Na semana passada, o “descobridor”de Carajás, Breno dos Santos, esteve em Belém, palestrando para jornalistas e alguns convidados da Vale, em comemoração aos 40 anos da atividade mineral em Carajás, iniciada em 1985. O tema central foi o futuro de Parauapebas e o que restará a cidade com o fim da extração de minérios nas próximas três décadas?

Santos demonstrou muita preocupação com o futuro dos parauapebenses. Reforçou que passou da hora da classe política ter criado possibilidades de atividades para além do minério, evitando, portando, que a capital do minério (ainda) seja mais um exemplo da teoria formulada por Auty.

Indagado pelo Grupo Correio sobre o futuro de Parauapebas, o geólogo respondeu: “Vão ser vinte, trinta anos com minério rico e depois, sem royalties. Como vai ficar? Parauapebas tem 300 mil habitantes. O pessoal da Vale vai para Canaã, e a população? Vai se tornar uma cidade fantasma?”. 

Na sequência, propôs uma saída: “É importante que a cidade de Parauapebas encontre novos caminhos para o futuro, com turismo, talvez uma pecuária de qualidade”. 

Enquanto, independente de grupo político, não se criar, de fato, um plano estratégico de desenvolvimento, tirando-o do plano das pretensões, o futuro de Parauapebas tende a ser sombrio, de muitas dificuldades. A teoria da Maldição dos Recursos Naturais é implacável. Exemplos não faltam. Resta saber se Parauapebas entrará nesta triste galeria.

Imagem: HD Produções 

Henrique Branco

Formado em Geografia, com diversas pós-graduações. Cursando Jornalismo.

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