Análise: com R$ 52 bilhões em jogo, até onde o FGC aguenta?

O caso Master é o maior teste de estresse da história para o FGC (Fundo Garantidor de Créditos) e reacende um debate que o mercado vinha evitando: até que ponto o fundo pode continuar sendo usado como argumento de venda para produtos de maior risco?

Os números ajudam a dimensionar o tamanho do choque. No fechamento do primeiro semestre de 2025, o FGC tinha cerca de R$ 121 bilhões em liquidez, de acordo com relatório publicado pela própria entidade privada. Três meses depois, em setembro, esse número havia saltado para R$ 153,9 bilhões, impulsionado principalmente pela receita financeira elevada devido ao ambiente de juros altos. Ou seja, o fundo estava, de fato, mais robusto no terceiro trimestre. Mas veio o caso Master.

As liquidações ligadas ao conglomerado atualmente somam um impacto estimado de R$ 52 bilhões. Considerando a base de setembro, isso representa aproximadamente 34% da liquidez do fundo. Um terço do colchão de segurança do sistema bancário comprometido por um único grupo.

E o impacto já saiu do campo da estimativa. Em levantamento feito pela CNN Brasil, o FGC desembolsou até a manhã do dia 18 de fevereiro (quando foi anunciada a liquidez do Banco Pleno), R$ 37,7 bilhões para credores do Master e do Will Bank. Isso significa que mais de 70% do impacto estimado já virou saída efetiva de caixa.

Ainda restam valores a pagar após essa queima relevante. Mas o fundo aguenta? No curto prazo, sim. Mesmo após os desembolsos, os números mostram que o FGC mantém liquidez confortável e continua sendo abastecido mensalmente pelas contribuições das instituições financeiras. Não há, de acordo com economistas, um risco iminente de ruptura.

Mas o debate estrutural muda de patamar. O FGC foi desenhado para proteger depositantes em casos pontuais de quebra bancária. Ele não foi feito para servir como um selo comercial que viabiliza captação agressiva via CDBs pagando taxas muito acima da média de mercado. E é aí onde se acende a luz de alerta!

Durante anos, o slogan “tem garantia do FGC” foi utilizado para equiparar, na percepção do investidor pessoa física, o risco de bancos médios altamente alavancados ao risco de grandes instituições sistêmicas.

Isso cria um problema clássico de incentivo: quando existe seguro, o apetite ao risco aumenta tanto do lado de quem capta quanto do lado de quem investe.

Por isso discussões importantes que estão em curso não devem ser ignoradas, como: a diferenciação de contribuição ao FGC conforme o risco da instituição, maior transparência sobre concentração de depósitos garantidos e a revisão da comunicação comercial sobre a garantia.

Um debate que deve tratar agora sobre como preservar a função original do FGC como um amortecedor de crise, não um instrumento de marketing indireto para expansão de risco.

Por Débora Oliveira

Imagem: reprodução 

Henrique Branco

Formado em Geografia, com diversas pós-graduações. Cursando Jornalismo.

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