“Balas de prata” do Bolsonarismo

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A expressão “Bala de Prata” foi adotada como uma metáfora para designar uma solução simples para um problema complexo com grande eficiência. A metáfora em questão é tipicamente empregada no mundo da tecnologia, em especial na tecnologia da informação, referenciando-se a um novo produto ou tecnologia com o qual se espera resolver um problema anteriormente existente.

Desta forma, podemos transferir o citado termo para a seara política, em especial à disputa presidencial. A campanha do atual presidente Jair Bolsonaro (PL), até o momento, em segundo nas pesquisas eleitorais, com a real possibilidade de derrota no próximo dia 30, vem, de forma sistemática, criando as “balas de prata” na reta final da campanha.

Até o dia da eleição de primeiro turno, o discurso bolsonarista centrava-se no questionamento das urnas eletrônicas como, aliás, sempre ocorreu. Horas depois do resultado oficial divulgado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o tal “questionamento” parou, ou , pelo menos, deixou de ser a pauta principal das redes que apoiam o atual presidente. No dia seguinte, um novo alvo: institutos de pesquisa, que passou por quase dez dias na mira de bolsonaristas e apoiadores.

No último domingo, se acompanhou de forma estarrecida o caso do ex-deputado Roberto Jefferson, presidente de honra do PTB, que teve a sua prisão domiciliar revogada por conta de diversos descumprimentos, e recebeu à bala e com granadas agentes da Polícia Federal, que cumpriam ordem judicial de prisão, expedita pelo ministro Alexandre de Moraes.

Esquizofrenia Bolsonarista

O caso foi – apesar de sério – até cômico. Logo que o fato se tornou público, os apoiadores do presidente Bolsonaro foram às redes apoiar o ex-deputado, reafirmando que acontecia mais uma vez a “ditadura do judiciário” implementado, adivinhem por quem? Ele mesmo: Alexandre de Moraes. Todavia, o fato (cada vez mais claro que foi uma armação para gerar um fato político, ou seja, uma “bala de prata”) perdeu o controle, e o monitoramento das redes, apontou que as pessoas estavam criticando a postura de Jefferson. Na sequência, a ordem era “larguem a mão dele”, ou seja, não o defendam.  Não está “pegando bem” o caso, e assim foi feito. O presidente Jair Bolsonaro chamou o “amigo” de bandido. O que é fato irrefutável foi que o caso que envolveu o dirigente do PTB, foi um duro golpe na campanha de Bolsonaro.

A mais nova “Bala de Prata” Bolsonarista

Dois dias depois, Fábio Farias, atual ministro das Comunicações, disse que tinha uma “bomba”. Que, segundo ele, rádios de Pernambuco e da Bahia deixaram de exibir inserções de Bolsonaro em suas programações, o que desequilibra a disputa, portanto, o resultado final da eleição poderá ser alterado.

Sobre isso, vamos aos fatos…

O Partido Liberal (PL) contratou uma empresa, que fez uma auditoria sobre as inserções da campanha do presidente Jair Bolsonaro nas rádios. Em um universo de cinco mil rádios, que é, mais ou menos, o total que operam em solo brasileiro, em oito delas, se verificou, segundo essa auditagem, que o material de campanha do atual presidente não foi exposto como se deveria, e em alguns casos, bem abaixo do volume que deveria ter sido, em comparação ao adversário, neste caso, Lula (PT).

Há, claramente, algumas informações que não batem, e isso é puramente cálculo matemático simples. Por exemplo, Farias afirmou que mais ou menos 100 horas de inserções de Bolsonaro deixaram de ser exibidas por essas rádios em quase duas semanas. Isso é MENTIRA. Se forem somadas todas as inserções de Bolsonaro (com formato de 15 segundos) não chegaria a cinco minutos. Da mesma forma o quantitativo de exposição do petista. Portanto, é mentira.

Outra questão, segundo técnicos da área, é impossível uma empresa auditar esse volume de rádios (cinco mil), ou seja, quantas inserções elas expuseram. A auditoria teve como base os algoritmos para esses levantamentos. Sendo assim, tecnicamente, só seria possível as rádios on line que, pela legislação eleitoral, essas emissoras são desobrigadas a inserir propagandas políticas em suas programações.

A Soundview Tecnologia não consta como autora do relatório enviado ao TSE, mas foi mencionada por Fabio Wajngarten durante a coletiva de imprensa sobre a suposta “fraude”. A empresa recebeu mais de 500 mil reais para prestar outros serviços para a campanha do ex-capitão. Horas depois do exposto, a Soundview afirmou que pode ter ocorrido erros em seu relatório…

A maioria das rádios citadas se pronunciaram (trecho extraído da CNN Brasil):

Rádio Mais Vida FM.com.br (97.1) – “Rádio Bispa FM”, de Recife (PE)
A Rádio Bispa FM emitiu um comunicado dizendo que há um desencontro de informações e a sua frequência não corresponde com o documento apresentado ao TSE. Na verdade, seria a Rádio Mais Vida FM.com.br.

A CNN entrou em contato com o arrendatário da rádio, o empresário Fabio Macedo, que disse usar todas as inserções de propagandas políticas enviadas pelos partidos. Segundo afirmou Fabio, a rádio compra conteúdo do pastor Cleiton Collins, que exerce o quarto mandato consecutivo na Assembleia Legislativa de Pernambuco.

Rádio Povo FM (99.5) e Feira da Santana e Poções (BA)
Duas das rádios citadas pela campanha de Bolsonaro ao TSE pertencem a um mesmo grupo — o Sistema Pazzi de comunicação.

As rádios Povo que operam em Feira de Santana e Poções, cidades na Bahia. As emissoras enviaram nota à CNN dizendo que “todo material de campanha recebido pelas Coligações que disputam o pleito, inclusive do candidato Jair Bolsonaro, foram e serão veiculadas conforme veiculação do Tribunal Eleitoral, não havendo erros ou omissões nessas veiculações”.

Rádio Hits FM (103.1), de Recife (PE)
O analista da CNN Leandro Resende apurou com a CEO da emissora, June Cristina Melo, que se disse “surpreendida” com a inclusão da rádio na ação.

Ela afirmou que o PL, partido do presidente, tem atrasado a disponibilização das inserções no sistema do TSE – muitas, segundo ela, são inseridas após às 18h, após o horário em que o funcionário destacado para a função já não está na rádio.

Rádio Viva Voz (89.7), de Várzea da Roça (BA)
Em nota, a Rádio reafirmou o compromisso com a verdade e com a transparência. Além disso, afirmou que o PL atrasou a entrega do material de campanha.

“Na volta à campanha eleitoral do 2º turno, recebemos material de campanha de todas as coligações no dia 06/10, com exceção da coligação do candidato Bolsonaro, que só recebemos no dia 10/10. A Viva Voz FM preza pela boa-fé e enaltece a liberdade de expressão e a democracia”, disse.

Rádio Integração FM (88.5), de Surubim (PE)
O diretor-geral da Rádio Integração FM, à CNN, informou que fez um levantamento interno das inserções de Lula e Bolsonaro, comparou com a auditoria feita pela campanha do presidente e relatou divergências.

A Rádio Extremo Sul FM (de Itamaraju-BA) e Rádio Clube FM (de Santo Antônio de Jesus-BA) não se pronunciaram.

O que diz a campanha de Jair Bolsonaro

A respeito de notas e informações enviadas à CNN por rádios citadas no relatório da auditoria contratada pelo Partido Liberal (PL) sobre veiculação de inserções gratuitas de propaganda política, a campanha de Jair Bolsonaro respondeu: “Todas as entregas foram realizadas nos prazos e condições especificadas na resolução do TSE. Os documentos comprobatórios foram encaminhados para o setor jurídico da campanha.”

Quem é Alexandre Gomes Machado?

Era assessor de gabinete da Secretaria Judiciária da Secretaria-Geral da Presidência, setor é responsável pela coordenação do pool de emissoras que transmitem a propaganda eleitoral em rádio e TV. No caso, segundo a CNN Brasil, era ele que cuidava do pool de emissoras e rádios.

Após a exoneração, o servidor procurou a Polícia Federal (PF) para prestar depoimento e disse que informou ao TSE sobre existências em falhas na fiscalização da inserção das propagandas. Alexandre Machado ocupava o cargo do qual foi exonerado no TSE desde abril deste ano. Anteriormente, ele já havia trabalhado no Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF) e no Tribunal Superior do Trabalho (TST).

Sobre ter informado à PF em seu depoimento que já havia informado que fraudes poderiam ocorrer, é MENTIRA. Não há registros desse comunicado de Machado a nenhum superior ou a, por exemplo, ouvidora do TSE.

Alexandre Machado não esconde em suas redes sociais que é eleitor do presidente Jair Bolsonaro (PL). Ele que é jornalista, em 2000, fez um papelão, ou melhor, um feito negativo. Ele foi o protagonista de uma correção histórica que o “Correio Braziliense” teve de fazer. No citado ano, o então repórter Alexandre Machado, fez uma matéria sob o título “O Grande Negócio de Jorge” (Eduardo), portanto, fez à época o “Correio Braziliense” noticiar que a empresa DBO Direct tinha um contrato de R$ 120 milhões com o Banco do Brasil para testar um sistema de transmissão de dados, e que por trás da DBO havia uma outra empresa, a DTC, da qual o ex-secretário-geral da Presidência foi sócio até duas semanas atrás. O jornal teve que se retratar em matéria de capa. Um vexame histórico do  jornalismo brasileiro. Em seguida, publicamente, Machado reconheceu o erro.

Pelo visto, 20 anos depois, não aprendeu nada.

Não é da competência do TSE fiscalizar programação e inserções em rádio ou TV. 

Em seu site, a Corte Eleitoral informou que “compete às emissoras de rádio e de televisão cumprirem o que determina a legislação eleitoral sobre a regular divulgação da propaganda eleitoral durante a campanha”.

“Para isso, os canais de rádio e TV de todo o país devem manter contato com o pool de emissoras, que se encarrega do recebimento das mídias encaminhadas pelos partidos, em formato digital, e da geração de sinal dos programas eleitorais”, diz o TSE.

O pool de emissoras de rádio e televisão é localizado na sede do TSE e é formado por representantes dos principais canais de comunicação do país. O espaço conta também com uma equipe de servidores do Tribunal.

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