O Banco Central do Brasil manteve a taxa Selic – que mede os juros básicos do país – em 15% ao ano na primeira reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) do ano, realizada nesta quarta-feira (28). A decisão foi tomada de forma unânime entre os sete diretores que compõem o colegiado.
Mas após um período “bastante prolongado” em que o BC sinalizou que manteria os juros em patamar muito restritivo para conter a inflação, e se o cenário projetado se confirmar até a próxima reunião, em março, o Copom apontou que deve iniciar a flexibilização da política monetária. A magnitude do corte não foi adiantada.
“O compromisso com a meta impõe serenidade quanto ao ritmo e à magnitude do ciclo, que dependerão da evolução de fatores que permitam maior confiança no atingimento da meta para a inflação no horizonte relevante para a condução da política monetária”, escreve o Copom em comunicado.
Assim, o colegiado buscou reforçar “que manterá a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta”.
Cenário econômico
O BC voltou a chamar atenção para um ambiente externo que ainda é incerto, “em função da conjuntura e da política econômica nos Estados Unidos, com reflexos nas condições financeiras globais”.
“Tal cenário exige cautela por parte de países emergentes em ambiente marcado por tensão geopolítica”, pontua.
Para o cenário doméstico, a avaliação é de que os indicadores seguem convergindo favoravelmente ao trabalho da política monetária. Atividade econômica apresenta sinais de moderação e o mercado de trabalho segue resiliente, enquanto a inflação e seus componentes estão se controlando, apesar de seguirem acima da meta perseguida pela autarquia. O Banco Central trabalha com uma meta de inflação acumulada em 12 meses de 3%, com margem de 1,5 ponto percentual.
Expectativas do mercado
A diretoria da autoridade monetária atendeu às expectativas ventiladas pelo mercado. O Sistema Expectativas de Mercado, apurado semanalmente pelo BC para o boletim Focus, mostra que a mediana dos agentes econômicos apostava em manutenção dos juros de 15% nesta quarta, apontando corte apenas na próxima reunião, que será realizada entre os dias 17 e 18 de março.
As estimativas apontam que os juros fecham o ano em 12%, e não devem ficar abaixo de dois dígitos antes do final de 2027.
Por João Nakamura, da CNN Brasil
Imagem: reprodução




