Governo Darci: o dilema da “oportunidade”

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O governo do prefeito Darci Lermen caminha para o seu nono mês e em breve irá completar ¼ de seu período total, sofrendo intensa pressão popular. Tudo porque no processo eleitoral passado, Darci e equipe criaram um mote perfeito dentro do marketing político: o governo da “oportunidade”. Conforme abordei em outras ocasiões dialéticas, a estratégia se mostrou – logo de cara – ótima, perfeita em um município em crise econômica e que vem enfrentando preocupante cenário de desemprego.

O resultado foi o esperado: vitória nas urnas. Após o fim do processo eleitoral, fora do campo das ideias, promessas e pretensões, viria a realidade e as cobranças. Todo início de governo é difícil, requer paciência, união e competência. A ocupação de espaços precisa levar em consideração dois componentes: os agentes político e técnico. Pela gama de apoio na campanha, 16 partidos políticos, estava posto o primeiro grande desafio de Lermen: atender os interesses e alocar aliados na gestão. Não, por acaso, que o primeiro escalão ao ser anunciado apresentava dirigentes partidários ou pessoas ligadas diretamente a elas nos comandos das secretarias municipais.

Defendi publicamente que o novo governo precisava de um período de quarentena, ou seja, tempo razoável para se organizar e iniciar as ações. Na época projetei o período de 120 dias, ou seja, quatro meses. Já se passou o dobro do tempo aceitável e até o momento o governo parece manter o referido período. Enquanto a gestão Lermen continua procurando se encontrar, o desemprego continua em alta, descaracterizando o próprio governo, a sua base política de sustentação e o marketing que o levou à vitória nas urnas.

Segundo dados oficiais do Cageg (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), órgão ligado ao Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), Parauapebas já soma mais de 40 mil desempregados. Levando em consideração os números de habitantes divulgado pelo IBGE (Instituto de Geografia e Estatística), consta, portanto, um desempregado para cada cinco habitantes. Claro que o dado do montante de desempregados é questionável. Isso porque, a contabilidade de registro de admissões e demissões é levado em consideração o local de “fichado” (contratação), neste caso, Parauapebas, pois a mineradora Vale mantém na cidade a sua estrutura administrativa. Um trabalhador é admitido por Parauapebas, mas trabalha em um município vizinho, por exemplo. Outro fator que desqualifica em parte os números oficiais, diz respeito a demissão no setor público, neste caso, a Prefeitura de Parauapebas, que, quando ocorrem, não são contabilizadas pelo Cadastro Nacional. Portanto, o problema do desemprego ainda pode ser maior do que se imagina.

O atual cenário desolador é apenas o reflexo da dependência de um único setor econômico, altamente instável e com prazo de validade curto. Se tratando do setor mineral, não há perspectiva a curto e médio prazos de mudança na questão da empregabilidade. A prefeitura de Parauapebas já mostrou que não terá capacidade de manter de forma fixa, empregada, nem 10% do contingente dos que hoje estão em busca de oportunidade e que lotam, se rebelam em frente ao Sine (Sistema Nacional de Emprego).

Sem a mudança do perfil econômico, a implantação de políticas públicas que possam gerar outras matrizes econômicas e consequentemente diversificar a geração de emprego – proposta que foi perfeita para eleger um grupo político – não passará de promessa de campanha, sem retórica na prática, ou seja, sem oportunidades. Como avisei antes mesmo do desfecho eleitoral: o mote de campanha foi perfeito, mas seria a “pedra no sapato” da gestão. Parauapebas parece ser mais um infeliz exemplo da teoria da maldição dos recursos naturais.

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