Eleições 2020: Fecham-se as Cortinas. Um Ciclo se Completa

Há 32 anos Parauapebas emancipava-se de Marabá e tornava-se um município independente. De lá pra cá, tivemos um administrador (por Marabá) e como prefeitos: Chico das Cortinas, Faisal Salmen, Bel Mesquita, Darci Lermen, Valmir Mariano e novamente Darci Lermen.

Parauapebas foi criada principalmente em função do Projeto Grande Carajás e considerada a maior província mineral do planeta (minério de ferro, manganês e ouro), sempre foi uma cidade com números superlativos.

Com índices de crescimento em dado momento semelhantes apenas aos da China, Parauapebas representa um enorme desafio de gestão. Como planejar no médio e longo prazos, políticas públicas em uma cidade em que surge pelo menos um bairro por ano? Como lidar com o sentimento ÚNICO de paternalismo que existe em relação às obrigações da Prefeitura para com os diversos segmentos sociais?

Parauapebas, para crescer, precisa ser mais amada e menos explorada. É necessário que as pessoas se vejam no longo prazo, vivendo, casando, tendo seus filhos, criando raízes. A única maneira de a pessoa se importar mais com o destino do município é sendo parte ativa dele.

Vivemos a expectativa de mais um ano eleitoral municipal. Essa eleição promete ser muito acirrada devido a fatores excepcionais, como os “novos ventos políticos” que sopraram recentemente no Brasil, ressuscitando debates ideológicos antes esquecidos; além disso, temos o atual gestor, Darci Lermen, com o recorde em nosso município de três mandatos, tentando ampliar esse número para incríveis 4 mandatos. Isso se confirmando, seria um feito inédito e que dificilmente será batido tão cedo.

Seu principal adversário, o ex-prefeito Valmir Mariano, que apesar de liderar as pesquisas atuais, saiu de seu mandato com reprovação recorde (à época) e com o “feito” de ter sido o primeiro a não conseguir se reeleger, mesmo estando no comando da maior máquina pública do interior do Estado.

Correndo por fora, temos diversos nomes muito fortes, como Marcelo Catalão e Joelma Leite, por exemplo. Em nomes de menor expressão, mas buscando seu lugar ao sol, temos João do Verdurão, Francine do Hipersenna, o eterno Chico das Cortinas, dentre outros.

Devido à dinâmica singular deste ano, acredito que teremos mais nomes apresentando-se muito em função de 2024, na verdade.

Ora vejam.. o ano de 2020 encerra em si, um ciclo de mais de 20 anos de protagonismo das mesmas pessoas: Faisal, Bel, Darci, Valmir…

Darci, ganhando ou perdendo, deve ser a sua última candidatura municipal, pois um quinto mandato seria extremamente improvável (principalmente não podendo ser consecutivo); Valmir, estará com mais de 80 anos e com um cartel de derrotas considerável, já que ele é candidato praticamente em todas as eleições há décadas e só venceu uma, até hoje; Bel já não se apresenta há muitos anos para o pleito municipal; Faisal já aposentou-se e com seus recentes problemas de saúde, isso ficou ainda mais evidente.

Em 2024, MUITO PROVAVELMENTE, o(a) prefeito(a) será alguém que NUNCA foi antes. Um novo ciclo político se inicia e novos nomes reivindicarão o protagonismo da cena política na próxima década.

Por tudo isso, muitos se apressarão em usar 2020 como um “teste” de popularidade e de capacidade de articulação. 2020 deverá ficar mesmo, salvo interferências externas, entre Darci e Valmir.

Neste quesito, arrisco-me a dizer que Darci, apesar das pesquisas, sai na frente. Pois embora Valmir lidere as intenções de voto, a diferença entre ambos vem caindo consistentemente e a máquina tem seu peso, quando se sabe usá-la, claro. O que é exatamente o caso de Darci agora e NÃO FOI o caso de Valmir em 2016.

Há apenas dez meses das eleições, seria o caso de comparar o ano de 2020 com o de 2016? A situação política, a estabilidade dos governos? As intenções de votos?

Sabemos que em 2016, Valmir enfrentava um inferno. A campanha iniciou com ele tendo apenas 1,7% das intenções de voto e caçado (não confundam com cassado, por favor!) pela imprensa, pelo Ministério Público, pela Polícia Federal, GAECO, etc…

Tivemos vereadores da base presos, secretários, enfim, o caos. Mas mesmo assim, ao final da campanha, com todos os problemas, Valmir ainda “caiu de pé”, digamos assim, ao terminar com 38,8% dos votos e quase virar o jogo.

Darci também não vive seu melhor momento, mas tem a Câmara pacificada, a imprensa pacificada e seu governo não é alvo semanal de diligências policiais. Vai começar a campanha com números modestos, mas ainda assim, muito melhores que os números de Valmir em 2016. Com um detalhe crucial: Darci, na máquina, tem a fama de ser imbatível. Basta lembrar sua reeleição contra Bel Mesquita, em que ele também estava em situação semelhante e reverteu. É necessário que os amigos entendam que estar na máquina não é o mesmo que controla-la como o exemplo de Valmir bem ilustrou.

Por tudo isso, tenho grandes expectativas com relação ao pleito deste ano e para além dele. Todos nós temos a oportunidade de ver a história ser escrita, senhores. E quem sabe, até fazer parte dela. Cabe a nós, decidir se guiamos ou seremos guiados neste processo. O tempo não para e Parauapebas espera ansiosamente para saber quem serão os novos protagonistas dessa história. Quem viver, verá!

Forte abraço!

Vicente Reis

“cogito, ergo sum.”

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