Estudo revela que setor mineral pode reduzir emissões em 90% até 2050

A iniciativa Coalizão Minerais Essenciais, que reúne 14 entidades e empresas do setor de mineração, apresentou ao presidente da COP30, embaixador André Corrêa do Lago, um estudo que aponta caminhos potenciais para reduzir em até 90% suas próprias emissões de carbono e contribuir para a diminuição das emissões totais do Brasil até 2050. O documento ainda reforça que o setor mineral brasileiro tem potencial de reduzir as emissões globais da cadeia do aço e apoiar o processo de eletrificação global. A iniciativa é liderada pelo Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), a Vale e o Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM).

A Coalizão foi constituída a partir de convite da Presidência da COP30, que sugeriu que seis setores chave da economia no Brasil (agricultura, energia, florestas, mineração, pecuária e transportes) se mobilizassem para propor caminhos de descarbonização, a serem apresentados durante o evento que será realizado em Belém, em novembro. O estudo da Coalizão Minerais Essenciais mostra que a transição energética global está diretamente vinculada à mineração e que o Brasil está posicionado estrategicamente neste cenário, por ter as maiores diversidades geológicas do mundo e uma matriz elétrica renovável, entre outros fatores. O levantamento aponta ainda qual é a contribuição potencial do setor para a transição energética e para a descarbonização da economia. O estudo lista cinco pré-requisitos para que esse potencial seja atingido nos próximos anos. “As coalizões simbolizam o espírito de mutirão que a COP30 inspira: empresas, governo e sociedade civil atuando juntos, de forma colaborativa e pré-competitiva, para construir consensos setoriais e soluções alinhadas à ciência. A iniciativa é o ponto de partida de um processo que vai além do papel: transformar consensos em implementação para uma economia de baixo carbono. Nesse movimento, a Coalizão de Minerais assume papel estratégico ao propor caminhos concretos para descarbonizar sua cadeia e apoiar a transição energética global”, afirma Marina Grossi, presidente do CEBDS.

O presidente da Vale, Gustavo Pimenta, considera o engajamento do setor privado essencial para a agenda climática avançar no Brasil. “Para a Vale, que tem a descarbonização como um dos eixos centrais de seu negócio, é um orgulho coliderar essa iniciativa. Principalmente num momento como este, em que os minerais de transição energética ganham relevância na geopolítica mundial. O Brasil está no centro dessa discussão, pois tem enorme potencial de produção desses minerais, além de ser um dos maiores produtores de minério de ferro de alta qualidade, essencial para a descarbonização da siderurgia”, avalia. “O relatório mostra que a mineração é um pilar essencial da solução para a crise climática”, afirma Raul Jungmann, presidente do IBRAM. “O Brasil possui uma vantagem competitiva única, com diversidade geológica e uma matriz elétrica limpa. O estudo mostra que estamos prontos para fornecer os minerais que o mundo precisa para construir uma economia de baixo carbono, mas não podemos fazer isso sozinhos.”

A Coalizão analisou três escopos de contribuição da mineração para a descarbonização e a transição energética global. O primeiro foi voltado para a redução de emissões do próprio setor, que demonstrou recuo potencial de até 80% das emissões e a neutralização de cerca de 14% das emissões, levando a uma redução total de cerca de 90% até 2050. Foram estipuladas cinco alavancas para que esse cenário seja atingido: eficiência energética; uso de biocombustíveis; expansão do uso de eletricidade de fontes renováveis; eletrificação de frotas e equipamentos; e recuperação de áreas degradadas para neutralizar emissões residuais.

Um segundo eixo, dedicado a contribuições da mineração para reduzir as emissões da cadeia global do minério de ferro, indicou que as reduções podem chegar a 110 MtCO2e em 2050 (o equivalente a oito vezes as emissões anuais da mineração brasileira em 2022) por meio de produção de insumos para o aço de baixo carbono, como pelotas e briquetes para rota de redução direta. Além disso, há a possibilidade de redução das emissões em atividades como pelotização, transporte ferroviário e navegação internacional, dependendo de instrumentos econômicos e pré-requisitos apresentados no estudo. Já em relação aos minerais de transição energética – como cobre, níquel, bauxita, lítio, terras raras, entre outros –, a Coalizão estima que o setor mineral brasileiro pode dobrar a produção desses minerais até 2050, levando a uma redução das emissões totais do País de até 300 MtCO2e por ano em 2050, o equivalente às emissões totais dos estados de São Paulo e Minas Gerais somadas em 2023. O cenário leva em conta o aumento da produção global de veículos elétricos para até 38 milhões adicionais em 2050, e a expansão da capacidade instalada de geração de energia eólica de até 830GW adicionais e de energia solar de até 610GW adicionais em todo o mundo em 2050, além da expansão de redes elétricas e sistemas de armazenamento de energia.

O estudo ressalta também que o potencial de contribuição da mineração brasileira depende da construção de um ambiente favorável, articulado em torno de cinco pré-requisitos: melhorias no cenário regulatório-econômico, com a entrada em vigor da precificação de carbono; maior acesso a tecnologias com maturidade técnica e viabilidade econômica; redes de logística, energia e armazenamento com capilaridade e capacidade suficientes; instrumentos financeiros “verdes” e taxonomias sustentáveis consolidadas; e um “prêmio verde”, um pagamento adicional por produtos de menor pegada de carbono, além de incentivos ao longo da cadeia de valor para a promoção de práticas como a circularidade.

Por Brasil Mineral
Imagem: Reprodução
Henrique Branco

Formado em Geografia, com diversas pós-graduações. Cursando Jornalismo.

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