Faroeste partidário

O União Brasil, legenda que passou a existir após a fusão entre o PSL e o DEM, em outubro de 2021. No ano seguinte, disputou sua primeira eleição como partido, se lançando, inclusive, na disputa presidencial, escolhendo a senadora sul-mato-grossense Soraya Thronicke (atualmente filiada ao Podemos). O recém criado partido elegeu no último pleito quatro governadores, 59 deputados federais (dois são da bancada paraense), 100 deputados estaduais (no caso do Pará, apenas o licenciado Victor Dias) e sete senadores. Um desempenho eleitoral elogiável.

Em seu processo de fusão, ficou acordado que Luciano Bivar (atualmente afastado), até então presidente do PSL, iria presidir o União Brasil, tendo como vice Agripino Maia e secretário-geral o ex-prefeito de Salvador, ACM Neto (atualmente vice-presidente), ambos do Democratas. O ano de 2023 foi marcado por divergências internas entre os dirigentes das antigas duas legendas, o que sinalizava que a troca de comando não seria um processo calmo.

O União Brasil começou sendo mais pró-Bolsonaro, por ter entre suas fileiras mais representantes do antigo PSL (o ex-casulo bolsonarista), mas com o tempo, essa presença foi diminuindo, equilibrando mais internamente a nova legenda. No plano federal, o União Brasil conta com três ministérios. Uma cota considerável, mas que nunca garantiu até aqui apoio político esperado pelo Palácio do Planalto, vide votações contrárias ao governo em projetos importantes, impondo derrotas consideráveis no Congresso.

O mais novo capítulo da crise, foi o afastamento de Luciano Bivar (PE) da presidência, sob a acusação de perseguir o advogado Antônio de Rueda, novo presidente partidário, e seus familiares, residência de praia totalmente destruída pelas chamas, através de um atentado. O embate entre o novo presidente e o seu antecessor está longe de acabar. O caso envolve não só questões políticas, mas também muito recurso financeiro, como no caso do fundo eleitoral que chega a R$ 517 milhões, o terceiro maior, só perdendo para PL e PT.

O caso que envolve o União Brasil, na verdade, coloca em xeque o futuro das federações, que se tornaram uma saída para a manutenção de algumas legendas, porém, divergências internas, como no caso do partido em questão, acende o alerta amarelo em outras legendas que estão pretendem criar federações, como é o caso do próprio União Brasil que abriu conversas com o PP e Podemos.

Neste faroeste partidário, quem perde é o próprio partido que não consegue conter as divergências internas entre dois grupos oriundos da fusão que formou o União Brasil, o terceiro maior partido em representação política no Brasil.

Henrique Branco

Formado em Geografia, com diversas pós-graduações. Cursando Jornalismo.

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