O tiroteio verbal e a lama chegou ao mar

Depois de percorrer mais de 411 km no leito do rio Doce, o Tsunami de lama chegou ao mar, no litoral capixaba na tarde do último domingo (22). Apesar de todas as medidas emergenciais realizadas pela mineradora Samarco, os rejeitos de minério encontraram o Atlântico, sem ainda saber os impactos desse contato. Aquela velha máxima: “Nada está ruim o suficiente que não possa piorar” …

Resolvi “garimpar” pronunciamentos de alguns especialistas na área em suas respectivas entrevistas na mídia. Acompanhem:

“De acordo com o presidente substituto do Ibama, Luciano Evaristo, com a chegada ao oceano, a lama pode afetar os animais marinhos. No percurso que está desenvolvendo agora, a lama afeta a fauna, causa um processo de congestão nos peixes, por causa da densidade do rejeito que está na água. Chegando ao estuário, ela poderá afetar a questão da nidificação das tartarugas, afetar também a ictiofauna marinha”, disse.

“Segundo o biólogo André Ruschi, a chegada da lama no oceano pode ter um impacto ambiental equivalente à contaminação de uma floresta tropical do tamanho do Pantanal brasileiro. Ele acredita que, se nada for feito, o prejuízo ambiental do ‘tsunami marrom’ pode demorar 100 anos para ser revertido”.

“Entretanto, o engenheiro da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Paulo Rosnan, os possíveis estragos estão sendo superdimensionados pelos órgãos ambientais. “No mar, eu creio que não será nada relevante. Haverá só uma mancha colorida muito grande que se dispersará normalmente, como se dispersam as manchas que saem dos rios em épocas de grandes chuvas”

Como se pode perceber, há posicionamentos divergentes e para todos os gostos. De analises catastróficas as que diminuem os impactos e criticam o excesso de pessimismo em relação aos danos ambientais. Era de se esperar essa disputa dialética e analítica. O que precisa ser acompanhado e analisado são as consequências desses discursos e a quem estão servindo ou quais interesses estão por trás?

Independente dos posicionamentos contrários, a lama de rejeitos do minério, chegou ao mar e criou novo problema, novo impacto, diferente do que vinha ocasionando no interior do continente, seguindo calha de rio e seus afluentes. Pelo que se observa, quase três semanas depois do rompimento da barragem da Samarco, ocasionando – de longe – o maior desastre ambiental da história do Brasil, muitas dúvidas ainda estão para serem respondidas. Muitos questionamentos ainda estão sem resposta. Nem o que ocasionou a ruptura na estrutura da barragem é conhecido.

A guerra de informações deverá continuar por muito tempo. Neste processo o meio ambiente já está em segundo plano, infelizmente.

Imagem: reprodução Internet. 

Henrique Branco

Formado em Geografia, com diversas pós-graduações. Cursando Jornalismo.

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