Pesquisa Quaest: reprovação ao governo Lula supera a aprovação; entenda os motivos

A avaliação negativa do governo Lula superou a positiva, numericamente, pela primeira vez na série do instituto Quaest. Pesquisa divulgada nesta segunda-feira (27) mostra que 49% dos brasileiros desaprovam a atual gestão; a aprovação ficou em 47%. A diferença está dentro da margem de erro, que é de um ponto percentual.

No levantamento anterior da Quaest, em dezembro, o governo tinha 52% de aprovação e 47% de reprovação. A notícia negativa para o presidente Lula não para por aí. A avaliação do governo caiu nas principais bases do petista: o eleitorado de baixa renda e do Nordeste.

“A deterioração da aprovação do governo aconteceu com mais força na região Nordeste. Em apenas um mês, o governo perdeu quase dez pontos de aprovação. No Sul, o governo perde sete pontos. É o pior resultado do governo nas duas regiões”, explica o cientista política Felipe Nunes, diretor da Quaest ao analisar a pesquisa no X (veja a íntegra mais abaixo).

No eleitorado de renda baixa, a queda foi de sete pontos percentuais, e no de renda média, de cinco pontos. “Perder popularidade no Nordeste e na renda baixa significa que o governo está perdendo base que deixa de defendê-lo. Isso fica evidente quando chega a 50% os brasileiros que acreditam que o país está na direção errada e apenas 39% na direção certa”, ressalta o cientista político.

Três fatores

Mas o que explica essa queda? “A pesquisa detecta três possíveis fatores. Primeiro, Lula não consegue cumprir suas promessas. Esse percentual sempre foi alto, mas chegou ao seu maior patamar em janeiro de 2025: 65%. Ou seja, mais do que gerar esperança, o atual governo produz frustração na população”, diz.

Em segundo lugar, aponta Felipe Nunes, o volume de notícias negativas relacionadas ao governo superou o de positivas em janeiro, com a crise provocada pelas fake news relacionadas a mudanças no Pix.

“Quando perguntamos diretamente, 66% dos brasileiros acreditam que o governo federal errou mais do que acertou diante da polêmica do PIX. Não há o que discutir, parte do problema foi criado dentro do próprio governo.”

O patamar de janeiro de 2025 é parecido com o de março de 2024, quando declarações sobre a guerra em Gaza, as eleições venezuelanas e na área da segurança prejudicaram o governo, observa o cientista político. A insatisfação com os preços dos alimentos também pesou negativamente para o governo. Apenas 25% dos brasileiros avaliam que a economia melhorou no último ano.

“Grande parte dessa percepção negativa sobre a economia vem do alto preço dos alimentos, que para 83% dos brasileiros subiu no último mês – o maior percentual da série histórica”, destaca Felipe Nunes.

“E para piorar, a solução especulada pelo governo para lidar com a alta dos alimentos não foi bem recebida: 63% dos brasileiros são contrários a mudança no sistema de validade dos alimentos. Ou seja, se a medida foi pensada para buscar popularidade, o tiro saiu pela culatra”, diz.

Além da comunicação

Para o diretor do instituto Quaest, a pesquisa mostra que os problemas do governo não se resumem à comunicação. O publicitário Sidônio Palmeira assumiu o Ministério da Comunicação há duas semanas com a missão de melhorar a interlocução de Lula com a sociedade, cujas falhas são apontadas pelo Planalto como principal fator para a dificuldade do governo em deslanchar na avaliação popular.

“Vai ser preciso mais do que uma mudança de comunicação para mudar a rota desses indicadores. Política e gestão terão que andar acompanhados com a comunicação para que uma mudança real possa dar novo rumo ao governo”, adverte Felipe Nunes.

A Quaest ouviu 4.500 pessoas entre os dias 23 e 26 de janeiro. O nível de confiabilidade do levantamento é de 95% e a margem de erro é de um ponto percentual. A pesquisa foi encomendada pela Genial Investimentos.

Com informações de Congresso Em Foco

Imagem: reprodução

Henrique Branco

Formado em Geografia, com diversas pós-graduações. Cursando Jornalismo.

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