Super Quarta marca a semana do mercado: O que esperar dos juros?

Nesta semana, as atenções do mercado se voltam para a primeira Super Quarta de 2026. A expectativa é de manutenção dos juros no Brasil e nos Estados Unidos, mas de sinalizações sobre os movimentos previstos para o restante do ano.

Copom

Diante do recuo da inflação, o mercado já considerou a possibilidade de que a taxa Selic entrasse em uma trajetória de queda logo no início de 2026. No entanto, a perspectiva de que os cortes da Selic começassem em janeiro perdeu força diante do tom duro do Copom (Comitê de Política Monetária) e da força da atividade econômica brasileira.

O Copom observou na sua última reunião que, apesar de algum arrefecimento, a inflação e as expectativas de inflação seguem acima da meta, que é 3% ao ano, mas tem um intervalo de tolerância de 1,5% a 4,5%. Pouco depois, o presidente do BC (Banco Central), Gabriel Galípolo, foi enfático ao dizer que a instituição busca o centro e não a banda superior da meta de inflação. A inflação oficial brasileira subiu 4,26% em 2025 e deve marcar 4,02% em 2026, segundo as projeções do mercado coletadas pelo Boletim Focus.

Diante disso, o Copom voltou a dizer, na ata da sua última reunião, que manter os juros altos por um “período bastante prolongado” é a estratégia adequada para assegurar o retorno da inflação à meta. Para o mercado, foi um recado de que o comitê não deve cortar a Selic já na primeira reunião de 2026.

A perspectiva de que os juros serão mantidos em 15% na próxima quarta-feira (28) ainda ganhou força diante dos últimos dados da economia brasileira. A prévia do PIB (Produto Interno Bruto) medida pelo IBC-Br (Índice de Atividade Econômica do Banco Central), por exemplo, avançou 0,7% em novembro de 2025, superando as expectativas do mercado.

Diante disso, a maior parte dos analistas espera que a taxa Selic só comece a cair em março. Ainda assim, espera-se que o Copom dê algum sinal sobre a validade dessa perspectiva na próxima quarta-feira (28), já que o início do ciclo de cortes de juros costuma ser precedido de alguma mudança na comunicação do comitê.

Algumas casas, no entanto, ainda dizem que o Copom pode surpreender e começar a cortar os juros já nesta semana. É o caso do Bank of America e do BTG Pactual. Por isso, o tom do próximo comunicado do Copom deve influenciar as projeções e os movimentos do mercado nos próximos dias.

Fed

Nos Estados Unidos, a expectativa também é de manutenção da taxa de juros, no intervalo entre 3,50% e 3,75% ao ano. O Fed (Federal Reserve) diminuiu os juros americanos nas últimas três reuniões de 2025. Mas, em dezembro, avisou que só via espaço um corte em 2026.

Segundo o presidente do Fed, Jerome Powell, a cautela se deve ao baixo nível de desemprego e ao crescimento mais forte que o esperado da economia americana. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no entanto, já disse que gostaria de ver os juros caindo de forma mais acelerada. Por isso, promete trocar o presidente do Fed quando o mandato de Powell chegar ao fim, em maio.

Neste início de ano, a justiça americana ainda ameaçou abrir uma investigação criminal contra Powell, por causa dos custos da reforma da sede do Fed, o que foi visto pelo banqueiro como uma retaliação de Trump. O movimento fez um grupo de banqueiros centrais assinar um comunicado de apoio a Powell e à independência do Fed. Entre eles, o brasileiro Gabriel Galípolo.

Diante disso, o mercado não espera cortes dos juros americanos na próxima quarta-feira (28). Segundo a plataforma “Fed Watch”, um ajuste é projetado apenas para junho. Ainda assim, o mercado estará atento ao discurso de Powell e quer saber como os outros diretores do Fed vão votar.

Para os economistas da “Bloomberg”, uma unidade em torno da manutenção da taxa de juros representaria um voto de apoio a Powell e à independência do Fed.

Outros dados da semana

Embora as atenções estejam voltadas para a Super Quarta, outros dados também podem mexer com o mercado e até com as decisões de juros nesta semana. Por aqui, o Boletim Focus abre a semana, com as projeções do mercado para a economia brasileira. A prévia da inflação de janeiro, medida pelo IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15), também sai antes da reunião do Copom, na terça-feira (27).

Dados sobre o mercado de trabalho e as contas públicas brasileiras também são esperados para a semana. Além disso, o mercado segue de olho nas investigações sobre o Banco Master e a investida de Donald Trump sobre a Groenlândia.

Veja a agenda da semana no mercado:

2ª feira (26):Boletim Focus e estatísticas do setor externo;
3ª feira (27): IPCA-15;
4ª feira (28): Caged, Fed e Copom;
5ª feira (29): Estatísticas monetárias e de crédito;
6ª feira (30): Taxa de desemprego (Pnad) e estatísticas fiscais.

Por Marina Barbosa (Investidor 10)

Imagem: reprodução 

Henrique Branco

Formado em Geografia, com diversas pós-graduações. Cursando Jornalismo.

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