#TBT do Blog: CMP afasta do cargo o prefeito Valmir Mariano

Seguindo a série sobre a recente história política do município, em mais um capítulo do “#TBT” do Blog do Branco, vamos reviver um fato até então inédito na capital do minério: afastamento de um prefeito. O artigo foi escrito no quarto dia do mês de abril de 2015.

Ontem (03) ocorreu um fato inédito no âmbito político da cidade de Parauapebas, conhecida também como a capital do minério. O prefeito Valmir Mariano (PSD) foi afastado do cargo por 180 dias pela Câmara Municipal de Vereadores, depois de algumas reviravoltas, abandono de sessão, migração de vereadores da base governista para a oposição. Vamos aos fatos…

Não é de hoje e se acumulam denúncias de todas as ordens contra o prefeito. Há documentos que comprovam tais acusações, mas nada efetivamente era feito. Ou seja, a rotina continuava mesmo com os bastidores políticos nervosos. O chefe do executivo mantinha na CMP a sua base com 10 vereadores dos quinze que compõe o parlamento legislativo. O chamado G-5 (Grupo dos cinco vereadores da oposição e que mantém fortes críticas ao governo) pouco poderia fazer em ações práticas por conta de uma base numérica menor.

Mas dentre outros desastres da administração municipal, uma das mais relevantes é a relação complicada com a base governista na Casa de Leis, resultado da clara falta habilidade política do Palácio do Morro dos Ventos (sede do governo municipal) com os vereadores da situação. Ela numericamente é dez. Mas há sempre (e cada vez mais corriqueira ultimamente) rebeliões de vereadores aliados. E assim a defesa governista começava a ruir.

Ontem, qualquer dúvida sobre os desastres da articulação política da gestão Valmir Mariano foram comprovadas e da pior forma para o prefeito. O advogado Helder Igor deu entrada na CMP com pedido de afastamento do chefe do Executivo frente as denúncias, instaurando uma “Comissão Processante” e afastando o prefeito do cargo por 180 dias. Para que o processo avançasse precisaria da assinatura da maioria dos parlamentares. O G-5 teria que contar com pelo menos, mais três assinaturas. E elas vieram.

Como manobra esperada, os vereadores da base se retiram do plenário para evitar a continuidade da sessão. Não funcionou, três vereadores que apoiavam o prefeito migraram para a oposição. Sendo assim, a sessão continuou e a CMP deliberou pelo afastamento de Valmir Mariano pelo período de 180 dias. Cabe recurso e o prefeito deverá fazer valer o seu direito de defesa. A questão é que as denúncias são graves, com provas cabais de desvios de recursos públicos em diversas áreas. Estranhamente, o Ministério Público acionado diversas vezes, nada fez.

A notícia do afastamento do prefeito de Parauapebas ontem no final da tarde, início da noite, caiu como uma bomba no meio político da cidade e região. O que isso representa para a disputa eleitoral municipal que já começa a se formar para 2016? Quais as consequências desse afastamento? Mesmo que o chefe do Executivo municipal seja reconduzido ao cargo, o ato cria instabilidade em seu governo, no cenário político da cidade e fortalece seus opositores, especialmente o ex-prefeito Darci Lermen (PT), que segundo algumas consultas feitas pela cidade, lidera a disputa pelo Palácio do Morro dos Ventos para 2016.

Além disso, antes mesmo do afastamento do prefeito, a atual gestão municipal se encontra em um difícil cenário. Avaliação do governo é ruim, abaixo do esperado, depois de dois anos no comando da cidade (por isso escrevi um post com o título: “Ainda dá tempo, Valmir?!”). Pelo que se percebe, a situação do mandatário municipal piora a cada dia, não só na avaliação popular, mas em suas “engrenagens” administrativas e operacionais. Se a base oposicionista crescer na CMP, a situação tende a piorar. A política na capital do minério ferve. Aguardemos os
próximos capítulos do processo.

Imagem: reprodução de Internet. 

Henrique Branco

Formado em Geografia, com diversas pós-graduações. Cursando Jornalismo.

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