Um ano do projeto S11D: o mais novo capítulo da odisseia amazônica

Sem alarde e com pouca cobertura da imprensa, sobretudo, a local, o maior empreendimento mineral da Vale completou um ano de operação. Situado na Serra Sul, o chamado S11D, localizado no município de Canaã dos Carajás, sudeste do Pará, vem alegrando a mineradora Vale desde quando iniciou o seu processo de operação.

O projeto é na verdade um grande complexo. Pois incluí: a mina, usina, logísticas ferroviária e portuária. O valor total investido para que o promissor projeto se tornasse realidade foi de 14,3 bilhões de dólares. O maior já realizado no ramo no Brasil em uma década. O seu desenvolvimento de produção vem surpreendendo até mesmo os engenheiros que produziram os mais detalhados prognósticos de nível de operação e se surpreendem positivamente com a velocidade das etapas atingidas antes do tempo previsto.

Outro detalhe que vem chamando a atenção e que deixa os acionistas felizes, é o custo da produção. Além dela aumentar consideravelmente, tornou-se muito mais barato do que o valor para se retirar uma tonelada de minério na Serra Norte, em Carajás. Nas minas N4 e N5 o valor médio de custo de produção por tonelada gira em torno de US$ 13,5. No S11D está em US$ 9,2 com a estimativa que, em 2020, esse valor não ultrapasse US$ 7,7. Portanto quase a metade do que se gasta em produção por tonelada em Carajás.

No tocante à arrecadação, segundo dados divulgados pela Vale, em um ano de operação, o S11D já repassou quase R$ 150 milhões em impostos para as três esferas governamentais. Do referido montante, 30 milhões de reais são provenientes direto da Cfem, que pela constituição, 65% deste valor, ou seja, R$ 19 milhões ficaram no município que sedia o empreendimento, neste caso, Canãa dos Carajás.

Para fins geológicos, o S11D é apenas um bloco do corpo que foi dividido em quatro partes: A, B, C e D. O potencial mineral do corpo S11 é de 10 bilhões de toneladas de minério de ferro, sendo que só o bloco D possui reservas de 4,24 bilhões de toneladas. As primeiras sondagens na região datam dos anos 1970. No início dos anos 2000, foram feitos os primeiros estudos de capacidade técnica e viabilidade econômica, que levaram à atual configuração do projeto.

A estrutura da mina e da usina de processamento de minério de ferro conta com três linhas de produção – cada uma com capacidade de processamento de 30 milhões de toneladas/ano. O minério será lavrado a céu aberto e levado da mina até a usina por meio de um Transportador de Correia de Longa Distância (TCLD).

Segundo as projeções da Vale (cada mais incertas se tratando de S11D) é que, em 2018, a produção chegue a 55 milhões de toneladas. Para o ano seguinte, 2019, estimasse que possa chegar a 80 milhões, com o teto estimado de produção de 90 milhões de toneladas, em 2020, atingindo o seu ápice.

O fato é: independente do aspecto “moderno” do S11D, com a diminuição dos impactos socioambientais, que foram mitigados, a região, especificamente o município que abriga o projeto continuará a sofrer com os impactos negativos desse modelo de desenvolvimento instaurado na Amazônia desde a década de 1970 e – com algumas alterações em sua concepção – continuam a fazerem parte do cotidiano regional.

É desta forma que iniciou mais um capítulo da odisseia amazônica. Como diria o jornalista Lúcio Flávio Pinto, um dos maiores estudiosos sobre a referida região: “Amazônia é ainda encarada como uma página ainda incompleta, ainda esperando para ser escrita…”. Isso, talvez, possa explicar o seu intenso processo de ocupação e exploração. Algo nunca visto em qualquer parte do planeta. O S11D é só o início de mais um capítulo de um livro extenso e que não se sabe quando será a sua, talvez, última página ou se as considerações finais serão reservadas para as lamentações.

Henrique Branco

Formado em Geografia, com diversas pós-graduações. Cursando Jornalismo.

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