A pobreza do Brasil – Por LFP

De cada seis habitantes do Brasil, um é pobre. Se formassem um país, os 54,8 milhões de brasileiros com essa classificação, por ganharem 5,50 dólares ao dia (21 reais), constituiriam o segundo país mais populoso da América do Sul, inferior apenas ao próprio Brasil e com quase cinco milhões a mais do que a Colômbia, segunda colocada.
Já é uma realidade chocante. Em 2016, a renda mensal média dos pobres era R$ 183 inferior ao patamar mínimo que define a linha de pobreza. No ano passado, a distância ficou maior, em R$ 187. Mas a situação é ainda pior porque os já pobres voltaram a se afundar, ingressando na faixa abaixo da pobreza extrema.

Segundo a mais recente versão Síntese de Indicadores Sociais do IBGE, divulgada hoje, dos 55 milhões de pessoas vivendo em condições de pobreza, 15 milhões vivem abaixo da linha de pobreza extrema, com renda inferior a US$ 1,90 por dia (R$ 140 por mês), na medição do Banco Mundial. Entre 2016 e o ano passado, esse contingente aumentou de 13,5 milhões para 15,2 milhões de pessoas.

O esforço econômico para tirar esse grupo da extrema pobreza, que antes exigiria um pouco menos de R$ 9,95 bilhões mensais (R$ 187 per capita), passou em 2017 para R$ 10,2 bilhões mensais. É um cálculo aproximado feito pelo IBGE, que considera a alocação de recursos, sem custos operacionais e sem eventuais efeitos inflacionários desse investimento. Os recursos seriam aplicados em programas de transferência de renda e geração de empregos, para atender as famílias que perderam renda devido ao desemprego, que chegou a atingir quase 14 milhões de pessoas durante a recessão. O orçamento do Bolsa Família, o principal programa federal de combate à pobreza, está estimado em R$ 30 bilhões para todo o próximo ano.

Pode-se escolher ainda outras formas de pobreza, como a dimensional, que mede a falta de acesso à educação, proteção social, moradia, serviços de saneamento básico e internet. Integram esse grupo os brasileiros que têm ao menos três restrições a esses direitos básicos que garantem maior cidadania. O maior grupo e dos sem acesso a saneamento básico: 37% dos brasileiros não dispunham em suas casas, simultaneamente, de coleta de lixo, esgoto e água encanada. Em segundo lugar, os sem educação: 28,2% da população ou são crianças de 6 a 14 anos fora de escola ou pessoas com mais de 14 anos analfabetas, ou acima de 15 anos sem o ensino fundamental completo.

– Um projeto de erradicação da pobreza depende de muitas decisões. Subsidiar o custo com moradia e alimentação, gerar empregos, tudo isso pode ser contemplado. Mas, se você quiser resolver esse problema amanhã, numa canetada, esse seria o montante adicional necessário a ser investido – disse a O Globo Leonardo Queiroz Athias, analista da Coordenação de População e Indicadores Sociais do IBGE.

Quem quiser escamotear a verdade brutal desses números pode alegar que a situação piorou a partir do afastamento de Dilma Rousseff e sua substituição por Michel Temer, no tal golpe de 2016. Na verdade, a incapacidade de as elites dirigentes brasileiras atenderem aos mais pobres é secular. Mas se agravou recentemente pelos erros graves do governo de Dilma a partir da sua reeleição, em 2014.

Mesmo que o governo Temer tenha contribuído para esses erros, como efetivamente contribuiu, sem dúvida a maior parcela vem das desastrosas iniciativas anteriores. Efeitos tão nefastos, escondidos pela propaganda oficial, não brotam subitamente, mesmo com mudança de eixos de ação. Os subsídios aos “campeões nacionais”, programas desastrosos como os dos navios-sonda para o Pré-Sal, preços de serviços administrados com voluntarismo, crédito abundante a custo elevado, insanidade fiscal e outras medidas ainda vão cobrar um preço muito alto do país. Mas diminuir urgentemente a pobreza deveria ser a grande prioridade nacional. Sem fantasia nem manipulação.

Fonte: www.lucioflaviopinto.wordpress.com

Henrique Branco

Formado em Geografia, com diversas pós-graduações. Cursando Jornalismo.

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