Day After da eleição

Vivemos atualmente em meio a um grande empasse sobre o nosso processo eleitoral. O presidente Jair Bolsonaro deixa claro que, caso as eleições não ocorram no sistema de votação em que o voto possa ser impresso, elas não ocorrerão. Segundo ele, há fraudes que colocam em xeque os resultados. Pois bem, como é sabido, essas acusações não são novas. Bolsonaro as sustenta desde quando adentrou o Palácio do Planalto, todavia, aumentou o volume de acusações mais recentemente, acredita-se que pela proximidade do processo eleitoral.

O mandatário da nação produziu as mais graves acusações e ameaças contra a democracia. Contra isso, apenas eram emitidas notas de repúdios e réplicas de adversários em redes sociais e representantes de outros Poderes. Mesmo assim, Bolsonaro continuava. Todavia, nas últimas semanas ocorreu o que chamo de “levante democrático”, movimento em que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e o Supremo Tribunal Federal (STF) resolveram agir. Bolsonaro teve o nome incluído em inquérito das Fake News na Suprema Corte. Agora está sendo investigado e poderá ser condenado. No horizonte, a possibilidade dele se tornar inelegível para as próximas eleições.

Em represária, como esperado, subiu novamente o tom das ameaças. Seus alvos desta vez são os ministros do STF, Luís Roberto Barroso e Alexandre de Moraes. O primeiro é o atual presidente o TSE, e passará a Presidência daquele Tribunal ao segundo, que estará responsável pelas eleições de 2022. São, no momento, os novos alvos do Bolsonarismo, que coordenada as milícias digitais.

Na última quinta-feira, 05, a comissão especial da Câmara dos Deputados sobre a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 135/19, que torna obrigatório o voto impresso, rejeitou o substitutivo apresentado pelo relator, deputado Filipe Barros (PSL-PR). Foram 23 votos contrários ao parecer, ante 11 votos favoráveis.

O que parecia processo encerrado, ainda terá um “segundo tempo”. Um dia depois da rejeição da PEC, o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL) afirmou em pronunciamento no Salão Verde que vai levar a questão do voto impresso para o plenário da Casa. A justificativa do alagoano é que ao levar o assunto ao plenário, o ato tende a proporcionar “tranquilidade para as próximas eleições” e para que, segundo ele “possamos trabalhar em paz até janeiro de 2023”.

Pois bem, pelo que se acompanha, Bolsonaro não conseguirá promover um golpe, algo que tanto lhe move. Ainda não conseguiu reunir as condições para isso. Nem todos que compõem as Forças Armadas estão com ele, ou, pelo menos, aprovam seu desejo. O apoio popular a uma possível ruptura democrática não chega a 30%. Atualmente muitos movimentos e ações visam enfraquecer essa possibilidade. Portanto, as eleições ocorrerão.

A questão para o momento é: o que ocorrerá ao dia seguinte da eleição? As cenas que vimos em Washington, capital dos Estados Unidos, poderão se repetir aqui, caso Jair Bolsonaro perca a eleição? Se levarmos em consideração a postura do atual mandatário da nação (até por seguir claramente o perfil de Trump) está evidente, infelizmente, que sim. Assim como Trump, Bolsonaro segue a sua estratégia de “corroer” as instituições e colocar a todo momento em xeque a segurança de nosso sistema eleitoral. Está evidente que, em caso de derrota, em 2022, o presidente brasileiro não aceitará o resultado. A eleição de 2018 vencida por ele, é segundo o próprio, fruto de fraude.

Não há dúvida que os bolsonaristas irão ocupar os Poderes, em Brasília, caso Bolsonaro perca. Está claro o risco de revivermos o que vimos em solo americano. No caso de lá, os invasores que foram identificados, presos e responderão criminalmente por seus atos.

Em resumo, Day After da invasão ao Capitólio diz muito sobre como agir para evitar danos maiores. Não se protege o Estado democrático de direito com notas de repúdio, como se habituou fazer aqui. Se combate atitudes extremas com a imposição da Lei. Caso contrário, sem preparem para um 2022 no Brasil, em especial Brasília, com cenas muito piores do que o mundo viu em Washington.

Henrique Branco

Formado em Geografia, com diversas pós-graduações. Cursando Jornalismo.

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