Enfim, a corda rompeu. Helder e Daniel passam a ser adversários políticos

Na noite de ontem, 21, o que todos que acompanham a política paraense esperavam, aconteceu: o governador Helder Barbalho anunciou depois de uma reunião, que todos os seus apoiadores, lideranças e agentes públicos desembarcassem da gestão municipal de Ananindeua. De forma direta, o mandatário estadual deixou claro o fim da parceria política com Daniel Santos.

Como consequência do rompimento, a saída de Daniel Santos e de sua esposa, a deputada federal mais votada na eleição de 2022, Alessandra Haber, do MDB. O caminho lógico de filiação da dupla é o Solidariedade, um dos poucos partidos que não está na órbita dos Barbalho. Outra consequência é a retirada da parceria institucional entre governo do Estado e prefeitura de Ananindeua, além da divisão política no segundo maior colégio eleitoral paraense.

Desde 2021, quando iniciaram os rumores de que Daniel Santos estava se organizando para disputar a eleição de governador em 2026, que o atual mandatário estadual começou a se distanciar ou, ao menos, retirar o prefeito em questão da lista de aliados. Em capítulos sucessivos, a relação foi se deteriorando. Se agravou quando Daniel resolveu lançar a sua esposa, Alessandra Haber, como candidata a deputada federal, e tornando a mais votada do último pleito. Tal feito foi encarado pelo clã Barbalho como um afronte. Outro fator foi não ter seguido às ordens do governando em relação ao apoio no segundo turno na eleição presidencial de 2022, quando Daniel Santos e Alessandra Haber não compareceram ao almoço político oferecido pelo mandatário para fechar apoio à candidatura petista.

Helder, em 2018, articulou a saída de Daniel do PSDB e ida ao MDB; o fez presidente da Alepa e dois anos depois prefeito de Ananindeua. Por todos esses encaminhamentos, esperava total fidelidade do mesmo; um nível de submissão política em que não ocorresse questionamentos, apenas cumprimento de ordens. O mandatário estadual só esqueceu que o perfil de Santos não era compatível com o que lhe foi reservado como futuro político. Sabendo disso, Daniel, imprimiu um alto nível de realizações em seu reduto político-gerencial, evitando que acontecesse – por exemplo, com o feito em Belém – a “estadualização” política-eleitoral. Os grandes avanços em Ananindeua é, de certa forma, fruto da parceria entre as máquinas estadual e municipal, todavia, a ampla maioria do eleitorado não teve a percepção dessa relação, creditando quase tudo na conta da gestão de Daniel. Não, por acaso, o mesmo é considerado o melhor prefeito do Pará, e deverá ser reeleito com votação recorde.

Outra consequência do rompimento político de ambos, será a forma de como o grupo de comunicação RBA, que inclui TV e o jornal Diário do Pará, além de rádio, irá tratar a gestão de Daniel a partir de agora. Não há surpresas. A ordem é desconstruir a boa gestão de Ananindeua com uma sequência de matérias negativas (o que antes não ocorrida), além de denúncias. Resta saber se as Organizações Rômulo Maiorana seguirão o mesmo caminho?

Outra consequência, está referente à seara política-partidária, será dividir a base de apoio de Daniel, com forte pressão sobre os vereadores e pré-candidatos ao parlamento municipal. A “implosão” do que antes se chamava “República de Ananindeua” (termo que deixou de ser usado), passando a ser chamado de “Aliança Partidária”, que foi substituído por “União Política”, liderado atualmente pelo presidente da Câmara Municipal, Rui Begot (Avante, mas de saída para o PL).

Fontes ouvidas pelo Blog do Branco, dão conta que não procede a informação de que, após o rompimento político com o governador, Daniel passaria a financiar a pré-candidatura de Éder Mauro a prefeito de Belém, como resposta política. Por outro lado, o deputado estadual Erick Monteiro, do PSDB, pré-candidato a prefeito em Capitão Poço, irá reforça o time da oposição ao governador na Alepa.

Daniel Santos deverá seguir para o Solidariedade, em companhia de sua esposa, e de outros que aliados que o seguem. Apesar da forte pressão e da tentativa de desconstrução de sua elogiada gestão, que inclui lançar outras pré-candidaturas (exemplo, por exemplo, a de Miro Sanova), a reeleição de Santos será algo inevitável. Quem será o seu vice? Manoel Pioneiro, do PSDB, para que assim, Daniel se lance ao governo, mantendo o controle da prefeitura?

Os próximos dias serão decisivos, ainda temos duas semanas de janela partidária e tudo pode acontecer, inclusive nada.

Imagem: fotomontagem. 

Henrique Branco

Formado em Geografia, com diversas pós-graduações. Cursando Jornalismo.

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