Derrotas sucessivas

O Congresso Nacional imprimiu mais uma rodada de derrotas ao governo nesta semana, expôs em definitivo a dificuldade de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avançar com a sua agenda no Legislativo, especialmente na área de costumes. Tal revés – processo cada vez mais recorrente – é fruto, em parte, do alto nível de conservadorismo.

A pauta de costumes desta semana, em especial, por exemplo, a questão da “saidinha”, teve o veto presidencial derrubado pela maioria dos parlamentares. Esperava-se a derrota, mas não por placar ampliado e nem com votos contrários de aliados históricos do governo (314 votos pela derrubada do veto e de 126 pela manutenção)

O que se fala é que a base governista atualmente soma pouco mais de 100 deputados na Câmara, portanto, 1/5. Outra constatação: cargos e indicações não mais garantem votos.

A jornalista da Globo News, Júlia Duailibi, aponta de forma clara e incontestável, duas questões que explicam mais uma rodada de derrotas do governo no Congresso:

  • Há uma falência do modelo de construção de base governista calcado na distribuição de emendas, ministérios e outros cargos. Esse método não tem mais a eficácia que costumava ter nos tempos áureos do presidencialismo de coalizão, termo firmado por Sérgio Abranches no final dos anos 1980 para explicar o funcionamento do nosso sistema político;
  • Um dos motivos para isso é que, durante o governo Bolsonaro, o Congresso conquistou maior controle sobre as emendas. O governo Lula tem tentado reaver parte desse poder, e, na terça, conseguiu uma grande vitória com a manutenção do veto do presidente ao trecho da Lei de Diretrizes Orçamentárias de (2024) que estabelecia um calendário de pagamento das emendas.

Além disso, segundo Duailibi, em ano de eleições, com um fundo partidário e eleitoral, os presidentes de partido passam a ter mais influência sobre votações no Congresso do que os ministros.

Tal análise da jornalista global converge aos apontamentos feitos pelo Blog do Branco em artigos anteriores. Inevitavelmente, o empoderamento do Congresso é uma realidade, nunca antes vista pelo Executivo, que passou a ser refém deste protagonismo parlamentar, que ameaça, inclusive, outro poder também: Judiciário, este na figura do Supremo Tribunal Federal.

Esse protagonismo de deputados e senadores é uma das heranças malditas do Bolsonarismo, que terceirizou a gestão, concedendo maiores poderes ao Congresso. Em um parlamento imponderado, conservador, o governo Lula terá outras importantes derrotas.

A troca do ministro das Relações Institucionais é mero detalhe.

Imagem: Gazeta do Povo. 

Henrique Branco

Formado em Geografia, com diversas pós-graduações. Cursando Jornalismo.

#veja mais

Iniciarão as obras de hospital particular de grande porte em Parauapebas

O Blog do Branco anunciou no dia 14 de fevereiro do corrente ano, que a direção do Hospital Porto Dias (HPD) estava decidida a construir

Ao menos 60 deputados são pré-candidatos a prefeito em 2024

A disputa pelas prefeituras pode tirar ao menos 60 deputados dos trabalhos legislativos no Congresso Nacional. A Câmara conta com congressistas de 17 partidos como

Governo Darci: o dilema da “oportunidade”

O governo do prefeito Darci Lermen caminha para o seu nono mês e em breve irá completar ¼ de seu período total, sofrendo intensa pressão

A 1º vitrine continua firme

Conforme exposto por este Blog no segundo trimestre de 2018, a “vitrine” escolhida pelo então candidato ao governo do Pará, Helder Barbalho (MDB) para vencer

Resposta em relação a postagem: “Criador x Criatura – o autofagismo do PSD” – Vicente Reis

O blog recebeu do estimado Vicente Reis, colaborador do mandato do deputado Gesmar Costa, texto referente a publicação: “Criador x Criatura: o autofagismo do PSD”

Convenção do PSDB-Parauapebas tornou-se um fato político histórico

Na noite do último sábado, 02, o PSDB de Parauapebas realizou a sua convenção partidária, para a eleição e montagem de seu diretório municipal, sob