Ananindeua entra em colapso e dívida pública explode

O crescimento acelerado da dívida pública transformou Ananindeua em um dos municípios com a situação fiscal mais preocupante do Pará. Dados oficiais disponíveis em relatórios fiscais, leis orçamentárias e na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) revelam um padrão recorrente de desequilíbrio financeiro, no qual as projeções feitas pela própria administração municipal são amplamente superadas ano após ano. O resultado é um rombo que já ultrapassa R$ 641 milhões em 2025, com indicação clara de agravamento para 2026. As informações constam no site da prefeitura.

Desde o segundo ano da gestão do prefeito Daniel Santos (PSB), o endividamento do município passou a crescer em ritmo muito superior ao planejado. Em 2021, a previsão para a Dívida Pública Consolidada era de R$ 58,6 milhões, mas o valor efetivamente apurado chegou a R$ 174,2 milhões, quase triplicando a estimativa inicial. Em 2022, o cenário se tornou ainda mais grave: a expectativa era de R$ 45,5 milhões, porém a dívida real alcançou R$ 316 milhões, um salto de quase 600% acima do previsto.

O mesmo padrão se repetiu em 2023, quando a LDO indicava uma dívida de R$ 189,3 milhões, mas o montante final atingiu R$ 541,3 milhões. Documentos oficiais apontam que a principal justificativa foi a contratação de novos financiamentos, o que contribuiu para um déficit nominal e ampliou o comprometimento das finanças municipais. Em 2024, apesar de uma previsão de R$ 296,2 milhões, a dívida consolidada chegou a R$ 528,3 milhões, impulsionada por empréstimos destinados a obras estruturantes, mantendo a trajetória ascendente do endividamento.

A LDO de 2025 confirma a continuidade do problema ao projetar despesas R$ 87,7 milhões superiores à arrecadação, caracterizando o quarto ano consecutivo de déficit primário. A dívida consolidada, que em 2020 era de R$ 53,7 milhões em valores corrigidos, já ultrapassa R$ 641 milhões e, segundo o próprio planejamento oficial da administração, tende a crescer ainda mais em 2026.

Política de financiamentos e o círculo vicioso

A política de financiamentos adotada pela prefeitura de Ananindeua tem sido apontada como motor desse círculo vicioso. Embora os empréstimos sejam justificados como investimentos em infraestrutura, eles geram despesas permanentes de manutenção e custeio, pressionando o orçamento e reduzindo a capacidade de investimento com recursos próprios. Com mais dívida, aumentam os gastos obrigatórios, o que leva à necessidade de novos financiamentos, aprofundando o desequilíbrio fiscal.

Impactos na população e serviços públicos

Enquanto os números da dívida crescem, os impactos recaem diretamente sobre a população. A administração municipal recorreu a aumentos de tributos, criação de taxas e reajustes de impostos para tentar equilibrar as contas, mas as medidas não foram suficientes para conter o avanço do rombo financeiro. O cenário de restrição orçamentária já se reflete em dificuldades na manutenção de serviços públicos, atrasos de pagamentos e insegurança para fornecedores.

Com projeções que indicam um futuro ainda mais crítico, Ananindeua entra em uma zona de risco fiscal que compromete investimentos, políticas públicas e a sustentabilidade financeira do município. Os dados oficiais expõem uma realidade preocupante e apontam que, sem mudanças profundas na condução das finanças, a crise tende a se agravar, afetando diretamente a qualidade de vida da população.

Com informações de Carol Menezes (DOL)

Imagem: reprodução 

Henrique Branco

Formado em Geografia, com diversas pós-graduações. Cursando Jornalismo.

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