Entenda como funcionam as eleições primárias presidenciais dos Estados Unidos

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Antes de os cidadãos dos Estados Unidos votarem para presidente em novembro deste ano, eles escolhem os candidatos à Presidência em uma série de votações primárias e convenções políticas. Esse é um processo instável que evoluiu ao longo da história do país e continua se desenvolvendo até hoje. Aqui está o que você deve saber sobre as eleições primárias dos Estados Unidos de 2024. E o que são as primárias dos EUA? É uma eleição para selecionar candidatos, geralmente de um partido político específico, para que concorram nas eleições gerais. Quem está concorrendo nas primárias de 2024? Para os democratas, Joe Biden, presidente em exercício, está concorrendo à reeleição, o que o torna o candidato titular.

Os titulares raramente enfrentam concorrência séria. Ainda assim, há alguns democratas que o desafiam nas primárias do partido, incluindo o deputado Dean Phillips, de Minnesota, e a escritora Marianne Williamson, mas que ainda não conseguiram muito apoio, pelo menos segundo as pesquisas de opinião. Para os republicanos, o ex-presidente Donald Trump é há muito tempo o favorito nas primárias, tendo vantagem sobre outros cinco candidatos que ainda estão na disputa, também de acordo com levantamentos eleitorais. Trump, como ex-presidente, também tem parte do poder de um titular, embora tenha perdido as últimas eleições gerais. Esta é a primeira campanha séria de um ex-presidente pela nomeação do seu partido desde que Teddy Roosevelt tentou e não conseguiu recuperar a nomeação republicana em 1912.

Os republicanos que são contra o empresário estão voltados a outros dois pré-candidatos: Nikki Haley, ex-governadora da Carolina do Sul, e Ron DeSantis, governador da Flórida. Haley teve melhores resultados no estado de New Hampshire, e DeSantis se concentrou em Iowa. O ex-governador de Nova Jersey Chris Christie, o empresário Vivek Ramaswamy e o ex-governador do Arkansas Asa Hutchinson, apresentam mais dificuldade para obter apoio.

Quem pode votar nas primárias presidenciais?

Isso varia de acordo com o estado. Mas alguns estados têm “primárias abertas”, o que significa que qualquer eleitor registrado pode votar nas primárias democratas ou republicanas. Outros têm “primárias fechadas”, o que significa que apenas as pessoas registradas em um determinado partido político, geralmente o Republicano ou o Democrata, podem votar nas primárias desse partido. E também há estados que oferecem registro no dia da votação, o que essencialmente abre essa votação à maioria dos eleitores registrados. Já sobre onde são feitas, as primárias são geralmente realizadas em locais de votação como qualquer outra eleição.

Quando ocorrem as primárias presidenciais?

A primeira data no calendário das primárias presidenciais é 15 de janeiro, embora não seja tecnicamente para primárias. Nesse dia, em Iowa, os membros do Partido Republicano se reunirão em eventos chamados convenções políticas, onde ouvem discursos dos apoiadores de uma campanha e depois votam no seu candidato preferido. Ao contrário das primárias em outros estados, esses eventos são supervisionados pelos partidos estaduais e não são conduzidos como eleições normais. Os democratas também se reunirão nesse dia em Iowa, mas a votação para o candidato a presidente será feita por correio, e terminará em 5 de março.

Em alguns estados, as primárias presidenciais são realizadas em uma data, e as primárias para outros cargos acontecem no final do ano. Depois de Iowa, New Hampshire realiza as “primeiras” primárias do país, em 23 de janeiro, embora os democratas não estejam sancionando o evento. Os integrantes do partido querem que suas primeiras primárias oficiais ocorram em 3 de fevereiro, na Carolina do Sul, que é um estado com maior diversidade racial, e o primeiro lugar em que Biden venceu as primárias em 2020. Na sequência, ocorrerão as primárias de Nevada, em 6 de fevereiro.

O calendário se espalha a partir daí. Os republicanos competem nas convenções partidárias de Nevada, em 8 de fevereiro, e na Carolina do Sul em, 24 de fevereiro, por exemplo. Quem vence em Iowa e New Hampshire geralmente ganha a indicação? Não necessariamente. Em 2020, Biden não venceu nem em Iowa, nem em New Hampshire, mas sua campanha alavancou na Carolina do Sul e ele ganhou a indicação democrata e, mais tarde, a Casa Branca. Em 2016, Donald Trump perdeu em Iowa, mas venceu em New Hampshire, assim como o colega republicano Mitt Romney em 2012.

Em 2008, o democrata Barack Obama venceu em Iowa, mas perdeu em New Hampshire. Também naquele ano, o republicano John McCain perdeu em Iowa, mas venceu em New Hampshire. O último candidato a vencer em Iowa e New Hampshire e a chegar à Casa Branca foi o democrata Jimmy Carter, em 1976, embora tenha ficado tecnicamente em segundo lugar em Iowa, atrás dos “descomprometidos”.

Como funciona a escolha do candidato à Presidência?

Os eleitores votam nos candidatos, mas, na verdade, estão selecionando os chamados delegados (figuras eleitorais dos EUA) para as convenções do partido, que acontecem durante o verão. Os delegados podem ser distribuídos através de um sistema em que o vencedor leva tudo, o que significa que o principal candidato nas primárias de um estado recebe todos os delegados desse estado, ou podem ser distribuídos proporcionalmente aos resultados das eleições primárias. Alguns estados têm índices determinados, nos quais cada candidato que obtiver uma certa quantidade de votos – por exemplo, 20% – pode ter direito a delegados. Hoje em dia, os democratas distribuem todos os seus delegados proporcionalmente. As regras republicanas deste ano exigem, em grande parte, que os estados com primárias e convenções partidárias antes de 15 de março distribuam os delegados proporcionalmente. Os estados com primárias e convenções após 15 de março poderão mudar para o formato em que o vencedor leva tudo.

Quando saberemos qual candidato venceu as primárias?

Será necessário acompanhar o desenvolvimento das primárias. Fique de olho naSuperterça, em 5 de março. Embora ainda não haja delegados suficientes em jogo para garantir a nomeação, essa é a noite com o maior número de delegados, onde os republicanos em 16 estados e territórios votarão. Pode demorar até maio ou junho para que um candidato obtenha votos suficientes para garantir a nomeação do seu partido. As últimas primárias presidenciais ocorrem em 4 de junho.

O que acontece se nenhum candidato conseguir a maioria dos delegados?

A maioria dos delegados é obrigada a estar “vinculada” (o termo republicano) ou “comprometida” (o termo democrata) a um determinado candidato que se dirige à convenção. Uma parcela muito pequena de delegados em certos estados e territórios do lado republicano está “desvinculada”. Esses poucos delegados podem apoiar quem quiserem no início da convenção. Os democratas têm delegados “não comprometidos” — figurões do partido –, mas que não votam no primeiro turno no plenário da convenção se puderem influenciar o resultado. Se não houver um vencedor por maioria clara após a votação dos delegados, eles vão para rodadas adicionais de votação, nas quais os delegados vinculados se tornam desvinculados, para que possam finalmente selecionar um candidato. Isso é conhecido como “convenção intermediada”. Entretanto, esse evento é raro, tendo acontecido pela última vez em 1952.

Como surgiu esse processo?

A realização das primárias evoluiu ao longo da história dos Estados Unidos. Antes, delegações do Congresso que selecionavam os candidatos presidenciais. A primeira eleição para a qual houve convenções políticas para os membros de partidos foi em 1832, quando Andrew Jackson venceu a eleição para a Casa Branca. A primeira convenção foi realizada pelo Partido Antimaçônico, que teve curta duração e foi extinto. O movimento no sentido de focar nas eleições primárias e tornar o sistema mais democrático começou após a violência na Convenção Nacional Democrata em Chicago, em 1968, quando os líderes do partido optaram pelo então vice-presidente Hubert Humphrey em vez do candidato antiguerra Eugene McCarthy. Humphrey perdeu a eleição presidencial daquele ano para Richard Nixon.

Com informações de CNN Brasil.

Imagem: Matt Sullivan/ Reuters.

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